Santana recusa Lisboa. Passos diz que é tarde para apoiar Cristas

Antigo líder do PSD quer ficar na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e deixou o partido descalço na capital. Só no início de 2017 se saberá quem é nome "forte" do PSD contra Medina

Pedro Santana Lopes fechou a porta a uma candidatura à presidência da Câmara de Lisboa. Mas o PSD não irá apoiar a candidatura da líder do CDS. Pedro Passos Coelho já fez saber às estruturas de Lisboa do partido que quer uma candidatura do PSD. "É tarde para apoiar Assunção Cristas", terá argumentado, apurou o DN.

Santana Lopes tornou pública a decisão de não avançar para a Câmara de Lisboa numa entrevista que sairá na edição de amanhã do Expresso. "Não serei candidato à Câmara de Lisboa", disse. Mas foi na quarta-feira que a terá comunicado a Passos Coelho e ontem ao presidente da concelhia de Lisboa do PSD, Mauro Xavier, ao líder da distrital Miguel Pinto Luz, e ao coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras.

Segundo o semanário, Santana Lopes justificou a opção de permanecer na presidência da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o empenho em prosseguir o trabalho que tem desenvolvido. Tanto mais que o seu mandato foi renovado em março deste ano e prolonga-se até 2019.

Em setembro, o antigo líder social-democrata já tinha sublinhado, numa entrevista ao DN, que a sua intenção era "cumprir o mandato, levar por diante estes projetos que tenho a meu cargo".

No curto resumo da entrevista no site do Expresso, Santana nega que tenham sido as sondagens a desmotivá-lo. Admite que a decisão foi "muito difícil" e considera que seria o candidato mais forte que o PSD podia apresentar na capital, nas eleições autárquicas de 2017. Reconhece também que Fernando Medina não será um candidato fácil de derrotar.

"Fico com pena por Pedro Santana Lopes não ter aceite o nosso desafio", afirma ao DN o líder da concelhia de Lisboa do PSD. Mauro Xavier insiste na ideia de que, apesar de Santana Lopes ser o candidato mais do que desejado por todos os quadrantes do partido, "o PSD continua calmo e sereno" e que "terá um candidato ganhador".

A ideia de "serenidade" é uma constante nas palavras dos dirigentes sociais-democratas para contrabalançar a notícia da recusa de Santana Lopes. "Está tomada a decisão, que é de caráter pessoal, mas o PSD está sereno e mantém os seus calendários , continuando a fazer oposição permanente a um presidente de câmara que pensamos que não está a levar a cabo as políticas que os lisboetas precisam".

O DN tentou contactar, sem sucesso, o coordenador autárquico do PSD. Ainda na semana passada, Carlos Carreiras voltava a dizer que Santana era a "hipótese mais desejada pelo PSD" para concorrer a Lisboa. E ia mais longe, em entrevista ao jornal i: "Acreditamos que vamos ser capazes de convencer Santana [Lopes]", diz. A verdade é que não foi possível convencê-lo.

Carreiras afirmava que pensar em Cristas como um plano B não era sequer uma hipótese. Passos Coelho não a considera mesmo como uma possibilidade a ter em conta e ao partido garantiu que encontrará um(a) "candidato forte" a Lisboa.

A posição do líder do PSD põe fim à discussão que já se travava nas estruturas do partido de Lisboa, sobretudo na concelhia, sobre a eventualidade de um apoio à líder do CDS, o que era visto como "um mal menor". Isto porque existe o receio de que sem Santana Lopes na corrida, Assunção Cristas acabe por ter um resultado melhor do que um candidato do PSD mais fraco. Alguns dirigentes locais defendiam que o apoio a Cristas devia ser condicionado à integração de vários candidatos do PSD na lista à autarquia.

A própria presidente centrista não fechou a porta a um entendimento com os sociais-democratas. em meados de novembro, Assunção admitia que um apoio do PSD à sua candidatura em Lisboa seria um "desafio diferente". O que significava que o desafio seria para ganhar e não só para ir a jogo.

Fechada a porta a esta possibilidade por Passos Coelho, o partido vai manter os timings previstos para a escolha do candidato, que é no primeiro trimestre de 2017. Mas há quem defenda internamente que o PSD devia pôr no terreno um candidato o mais depressa possível.

Neste momento, o PSD apenas tem um coordenador do programa eleitoral a Lisboa, o ex-deputado José Eduardo Martins, que também rejeitou qualquer possibilidade de vir a ser o candidato à principal autarquia.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG