Relatório dos EUA refere água contaminada na zona da Base das Lajes

Militares norte-americanos e da Força Aérea Portuguesa são aconselhados a beber água engarrafada. Parlamento discute hoje a descontaminação dos solos do concelho da Praia da Vitória

As conclusões de um relatório norte-americano, avançadas pelo semanário Expresso, vêm alimentar a polémica sobre a contaminação da água na zona da Base das Lajes, na Praia da Vitória, nos Açores. De acordo com o documento, a água poderá não ser apropriada para consumo humano.

O jornal avança que há muitos anos que os militares norte-americanos e os civis que trabalham na base são aconselhados a beber água engarrafada, uma recomendação adotada também pela Força Aérea Portuguesa (FAP): desde julho do ano passado até 14 de março, os militares da FAP receberam emails internos a dar conta de que não podem beber água da torneira, mas também que o podem fazer, sem nunca terem sido avançadas as razões para esta mudança constante de indicações.

As análises à água realizadas pelas autoridade dos EUA estão patentes num relatório intitulado "Drinking Water Quality Report 2015", e revelam: excesso de dioxinas, amónia, ácido fosfónico, cobre, ácido acético, chumbo, naftaleno (um hidrocarboneto), trialometano, herbicidas glifosato, diquat e endotal, e pesticidas hidroxicarbofurano e metiocarbe.

Segundo o documento, no caso das dioxinas foram encontrados valores 260 mil vezes mais latos do que os permitido nos EUA, e cerca de 100 vezes mais para diquat, glifosato e endotal (50 vezes), trialometano (40 vezes) e metiocarbe (30 vezes).

Esta sexta-feira são debatidas no Parlamento as propostas do PS, PSD, CDS-PP, Bloco de Esquerda e Os Verdes para resolver a questão dos solos contaminados no concelho da Praia da Vitória, assim como os pareceres que o Governo Regional dos Açores enviou à Assembleia da República sobre as mesmas.

PCTP/MRPP exigiu divulgação dos relatórios norte-americanos e portugueses

Na semana passada, o PCTP/MRPP exigiu ao Governo central e ao Governo Regional que divulguem imediatamente os relatórios americanos e portugueses já elaborados sobre a poluição dos solos e aquíferos das Lajes e da Praia da Vitória e "aprofundem os estudos sobre as doenças oncológicas dos residentes na área", adiantou o partido, num comunicado de imprensa, enviado à Lusa.

O comité do PCTP/MRPP na ilha Terceira defende ainda que as pessoas com cancro que vivem junto à base das Lajes devem "exigir as devidas indemnizações" ao governo norte-americano e aos governos da República e da região.

Esta semana, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, disse que não há atualmente elementos que indiquem um "diferencial estatístico muito preocupante relativamente à incidência de problemas de saúde concretos" no concelho da Praia da Vitória.

Também o Centro de Oncologia dos Açores (COA) rejeitou que exista uma maior incidência de casos de cancro no concelho.

"É absolutamente falso dizer que o concelho da Praia da Vitória tem mais cancros, seja por que causa for, em relação aos demais concelhos dos Açores", adiantou o presidente do COA, Raul Rego.

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