Reis de Espanha. Um forte abraço e até "para o ano"

Na despedida de Felipe VI e Letizia, Marcelo Rebelo de Sousa não poupou nos elogios aos monarcas espanhóis e à cooperação ibérica, falando numa "dupla na Europa". Visita a Espanha deverá ter lugar em 2017

Três dias de visita, muita política de afetos, e a expressão de uma vontade comum de caminhar lado a lado. Ou, nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, uma visita de Estado que deu "uma contribuição essencial para uma dupla na Europa e no universo ibero-americano".

Na hora da despedida, que se fez com um sentido abraço do Presidente da República aos reis de Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa classificou a visita de Felipe VI e Letizia como um "sucesso absoluto " - "politicamente, economicamente, socialmente, pessoalmente". Entre os substantivos e os adjetivos sobraram os elogios. Os pessoais: para Felipe VI, um "estadista", que fez "intervenções magníficas" na passagem pelo Porto, Guimarães e Lisboa; e para Letizia, uma "rainha maravilhosa, magnífica". E os elogios políticos, traduzidos numa "cooperação muito intensa, com projetos concretos". Para o ano há mais. Questionado sobre uma visita a Espanha, o chefe do Estado respondeu assim: "Provavelmente no próximo ano".

Felipe VI fez questão de falar em português em algumas ocasiões, Marcelo fez em castelhano o balanço da visita real, perante as perguntas dos jornalistas espanhóis à porta da Fundação Champalimaud - o último ponto da visita dos monarcas do país vizinho. Não por acaso: a instituição liderada por Leonor Beleza tem projetos de cooperação na investigação de doenças neuro-degenerativas com a Fundação Reina Sofia, mãe de Filipe VI - que esteve também, já este mês, na fundação portuguesa.

Mas o momento mais simbólico do dia teve lugar de manhã, com uma sessão solene na Assembleia da República, onde Felipe VI (empossado em Junho de 2014) discursou pela primeira vez. Com a curiosidade de a estreia ocorrer na véspera da data que assinala a reconquista da independência de Portugal, há 376 anos, foi de convergência que se falou no Parlamento. Com os os olhos postos sobretudo na Europa.

"É o nosso berço e o nosso destino comum", afirmou Felipe VI, sublinhando que "quanto melhor estiver a Europa, melhor estarão Espanha e Portugal. Quanto melhor estiverem Portugal e Espanha, melhor caminhará a Europa". Referindo que os dois países "mantém contactos permanentes para defender posições e interesses frequentemente convergentes" em "numerosas políticas comunitárias", o monarca defendeu que "a concertação e a fraternidade ibéricas" servem também "para nos apoiarmos solidariamente em momentos de dificuldade".

Com a rainha Letizia a assistir na galeria de honra, onde também se sentou o ex-presidente da República Ramalho Eanes, a Europa seria também o centro do discurso do presidente do parlamento, Ferro Rodrigues, mas num tom mais negro. Uma "União Europeia respondeu de forma tardia e insuficiente à crise financeira", deixando que se transformasse numa "crise das dívidas soberanas com consequências muito graves nos sistemas políticos, sociais e financeiros". "Estivemos unidos na condenação da hipótese de sanções contraproducentes e injustas aos nossos países, estivemos e estamos solidários com a causa humanitária dos refugiados", afirmou o dirigente socialista, sublinhando que "apesar de tudo ainda somos das opiniões públicas mais favoráveis ao projeto de construção europeia".

"O meu coração está com Portugal" foi a frase - em português - que encerrou o discurso de Felipe VI aos deputados. As bancadas do PS, PSD e CDS levantaram-se numa prolongada ovação. A do PCP também se levantou, mas sem palmas. Já os deputados do Bloco permaneceram sentados, sem aplaudir. Fonte oficial do partido diz que o BE "mantém a posição de sempre, republicana, e não naturaliza relações de poder com base em relações de sangue e não em atos democráticos".

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