Reformados protestam contra corte nas pensões

Mais de meia centena de reformados concentraram-se em frente ao Ministério da Solidariedade Social, em Lisboa, em protesto contra os corte nas pensões e para exigir medidas de combate ao "terror social" que afeta os idosos.

"A luta continua, o Governo para a rua", "as reformas a baixar e os lucros a aumentar" são algumas das palavras de ordem mais ouvidas no protesto convocado pela Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI), para assinalar o dia em que os reformados foram confrontados com os cortes nas pensões.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do MURPI, Casimiro Menezes, disse que este "é um dia de protesto contra os cortes que este Governo faz em relação aos reformados", lembrando que "todas as pensões foram atingidas, devido às medidas de austeridade".

Além dos cortes nas pensões e nos rendimentos, os reformados "são confrontados no dia a dia com dificuldades no acesso à saúde e à mobilidade", comentou Casimiro Menezes.

"Agora ainda há a lei das rendas que obrigará milhares de reformados a terem de abandonar as suas casas, devido ao elevado aumento dos valores a pagar", acrescentou.

Para o presidente do MURPI, o executivo "perdeu a legitimidade de governar, dado que, na campanha eleitoral, "não disse que ia fazer isto".

Uma das participantes na manifestação, Maria Alexandra Gonçalves, disse que fez questão de estar presente, porque agora "tem consciência do grande mal que o Governo está a fazer a muita gente, nomeadamente aos reformados".

"As reformas no nosso país são de miséria", disse, explicando que não se inclui neste grupo, mas está "solidária com as pessoas a viver com 200 e 300 euros".

"É uma luta justa, digna, em defesa dos direitos humanos", defendeu esta reformada da Caixa Geral de Aposentações que descontou durante mais de 41 anos e atualmente ajuda o filho, que está desempregado.

Amandio Pereira é reformado do Banco de Portugal e mostrou-se revoltado "com a bizarria de terem cortado aos reformados desta instituição o 13.º e o 14.º mês, enquanto os pagaram aos funcionários que estão no ativo".

Para este reformado, "é absolutamente anticonstitucional o que o Governo está a fazer". E explicou a sua presença na concentração com a necessidade de apoiar quem tem parcas reformas, sublinhando: "É um desastre social completo em que estão a transformar o país".

Amandio Pereira lamentou "a política de caridadezinha defendida pelo Governo, que quer transformar todos em pedintes ou em sem abrigo, como dizia o presidente do BPI".

Os reformados entregaram no Ministério uma carta aberta, dirigida ao ministro da Solidariedade e Segurança Social, na qual afirmam que, ao fim de uma longa carreira contributiva, merecem "justamente o direito à reforma e a uma pensão digna".

"Como consequência da política económica baseada em baixos salários, infelizmente, cerca de 76% dos pensionistas de invalidez, velhice e de sobrevivência da Segurança Social (mais de dois milhões), tinham, em 2011, pensões inferiores a 419,22 euros mensais e apenas 12.278 pensionistas (7,5% do total) tinham uma igual ou superior a 2.515,32 euros", salientam.

Na carta, apelam à tomada de "medidas urgentes para combater esta calamidade social", nomeadamente a reposição dos rendimentos retirados pelas medidas orçamentais, a atualização dos valores das pensões, a abolição das taxas moderadoras, a reposição de 50% de desconto nos passes sociais aos reformados e a "revogação urgente da lei do arrendamento urbano e da legislação complementar".

Sublinham ainda que, apesar dos "ataques" do Governo, "os reformados constituem, neste momento de crise social, com aumento do desemprego e do alastramento da miséria e da fome, a base de amparo de muitos filhos e netos, e uma valiosa força de coesão social, numa sociedade corroída pelo desespero e ameaçada de um futuro ainda pior".

O MURPI representa milhares de reformados, pensionistas e idosos organizados socialmente em mais de 170 associações de reformados.

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