"Redução do défice devia ter sido feita de forma gradual"

Questionados pelo DN, os líderes parlamentares dos cinco maiores partidos analisam os últimos dois anos e perspetivam o futuro. Nuno Magalhães diz que o PR não deixará de exercer a sua interpretação ampla dos poderes presidenciais

O que destaca de mais positivo nestes dois anos?

Desde logo a estabilidade política, da qual o CDS e eu próprio nunca duvidámos. E que resulta da convergência de interesses negativos. Por um lado, impedir que os outros partidos governem e dos interesses das forças que compõem esta solução de governo, procurando chamar para si as medidas mais simpáticas para os seus apoiantes.

O que ficou por fazer?

Muito. Desde logo a redução do défice, que por si é positiva, devia ter sido feita de forma gradual, para que não fosse necessário recorrer às cativações em áreas tão essenciais como a saúde e a educação. E, por outro lado, há que restabelecer a relação de confiança dos portugueses com o Estado em matérias de soberania. O que está a acontecer com as forças e serviços de segurança, nas áreas da defesa e da justiça, é preocupante. São áreas que constituem o núcleo das funções essenciais do Estado.

Qual será o maior desafio nos dois próximos anos, para o governo e o país?

Governar para o país e não para as eleições legislativas de 2019.

O Presidente da República será mais interventivo?

Será igual a si próprio e que não deixará de exercer a sua interpretação ampla dos poderes presidenciais, como tem feito. Se alguém está surpreendido com o que ele está a fazer, eu. Está a cumprir o que disse na campanha eleitoral

Que oposição tem de ser feita até 2019?

Tem de denunciar esta quebra e enfraquecimento das áreas de soberania, desde a descoordenação no combate aos incêndios, passando por Tancos. E lembrar as cativações, a retenção de despesa nas áreas da saúde, educação e transportes, que tem tornado a vida dos portugueses muito complicada. É preciso chamar a atenção para a ligeireza e a pouca consistência com que o governo trata os problemas e não assume responsabilidades.

É admissível que PSD e CDS se voltem a coligar para enfrentar o PS e os parceiros à esquerda?

São partidos com histórias diferentes. Ambos vão ter congressos nos próximos quatro meses, onde irão discutir a estratégia para as legislativas.

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