Recolha dos questionários do Censos termina hoje

As equipas do Instituto Nacional de Estatística terminam hoje a operação de recolha porta-a-porta dos inquéritos aos Censos 2011, uma operação que começou a ser desenhada há cinco anos pelo INE.

Depois de quase dois meses no terreno, o trabalho das equipas do INE chega agora ao fim: hoje, domingo de Páscoa, é o último dia de recolha mas nem por isso a tarefa poderá revelar-se mais fácil. Se, até quarta-feira, tinham sido recolhidos 90 por cento dos questionários em papel, para o final ficaram as habitações "mais complicadas".

"As experiências anteriores e os testes efectuados demonstram que existem zonas onde a recolha é tradicionalmente muito mais difícil do que a média", revela o gabinete de imprensa do INE.

Em algumas zonas do país a recolha dos questionários é "difícil" devido ao isolamento, distância ou dificuldades de acesso e noutras regiões as dificuldades prendem-se exactamente com "razões opostas": "devido às suas características iminentemente urbanas, em que as populações se encontram pouco tempo em casa".

Este ano, pela primeira vez, metade dos portugueses inquiridos optaram por responder ao inquérito através da internet. Segundo dados do INE, 5,3 milhões de pessoas, residentes em 1,9 milhões de alojamentos, escolheram o computador em detrimento do papel.

Durante o processo de recenseamento houve momentos mais complicados: a linha de apoio telefónico recebeu quase 45 mil chamadas até dia 11 de Abril mas muitas pessoas queixaram-se da inoperabilidade do serviço.

Algumas perguntas do questionário também levantaram dúvidas e lançaram alguma polémica, começando com a questão relativa aos recibos verdes, que levou um grupo de cidadãos a interpor uma acção em tribunal exigindo a retirada da questão. O Tribunal Administrativo de Lisboa considerou o pedido improcedente, mas os movimentos de trabalhadores precários e os organizadores da manifestação do dia 12 de Março em Lisboa já anunciaram a intenção da recorrer.

Também a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) acabaria por levantar problemas e impedir que o INE usasse ou disponibilizasse as respostas dadas ao inquérito sobre as uniões de facto e as pessoas não residentes que estavam em casa no dia 21 de Março.

Terminada a recolha dos inquéritos, o INE acredita que os primeiros dados do XV Recenseamento Geral da População e o V Recenseamento Geral da Habitação poderão ser conhecidos ainda este verão, mas só no final do ano irá ganhar definição a fotografia da sociedade portuguesa que o INE conseguiu tirar com o Censos 2011.

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