Rankings revelam grandes desigualdades entre escolas

A presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Ana Maria Bettencourt, afirmou hoje que os resultados das escolas nos exames nacionais, divulgados no fim de semana, revelam a existência de grandes desigualdades entre estabelecimentos de ensino.

"Infelizmente as nossas análises revelam a existência de grandes desigualdades e exclusão educativa nos percursos educativos", afirmou a presidente do CNE, sublinhando que se verificam "desvios etários muito elevados desde muito cedo e desigualdades nos resultados escolares".

Ana Maria Bettencourt frisou que nos resultados revelados pelos rankings, pela primeira vez acompanhados de dados socioeconómicos, são "bem patentes as desigualdades entre escolas".

A responsável pelo CNE, falava durante a apresentação em Portugal do relatório "Educação para Todos", da agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Ana Bettencourt alertou ainda que os progressos alcançados em Portugal não podem ser "ameaçados pela crise".

De acordo com números que recordou, o acesso à educação pré-escolar passou de uma taxa de 8,3 por cento, em 1974, para 85,7 por cento hoje.

No ensino básico, a evolução no mesmo período foi de 17,9 por cento para 92,1 por cento, no 3.º Ciclo.

O CNE continua a considerar que a população portuguesa adulta tem ainda "um défice educativo muito elevado".

"Seria muito importante que o país acreditasse cada vez mais na importância da educação e debatesse as competências que é necessário adquirir, quer ao nível do ensino básico, quer do secundário, hoje escolaridade obrigatória", disse.

Ana Maria Bettencourt insistiu na necessidade de uma formação de base sólida para todos, que "não estigmatize e separe os alunos provenientes de famílias mais carenciadas".

"Precisamos que na formação de base os alunos adquiram uma cultura literária, científica e artística sólida e uma formação básica e secundária onde sejam desenvolvidas competências transversais e transferíveis, que incluam designadamente a comunicação, a resolução de problemas, a criatividade e o empreendedorismo", apontou.

A especialista que preside a este órgão independente sustentou que a Educação para Todos constitui "um dos maiores desafios colocados ao mundo no final do século XX e início do século XXI".

Durante a apresentação do relatório da UNESCO em Lisboa, a secretária executiva da Comissão Nacional da organização, Manuela Galhardo, defendeu que a educação é , "em primeiro lugar, um direito".

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