"Quem vai decidir é o povo", não a troika, diz Sócrates

José Sócrates condenou hoje o líder do PSD por dizer que a "troika" deseja uma mudança de Governo, considerando que desrespeita o povo soberano e é sintomática da vontade de ter o FMI em Portugal. "É um deslize que confirma tudo. Sempre teve a pensou que Portugal devia ter pedido ajuda externa".

Sócrates falava no início de uma acção de rua da campanha do PS em Torres Novas, comentando a afirmação feita na véspera por Pedro Passos Coelho, segundo a qual a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), "no fundo", conta com uma mudança de Governo em Portugal. "Só há um alto-comissário neste país chama-se Governo de Portugal (vai ser eleito no próximo dia 5). Esta é uma ideia completamente absurda e foi desmentida pela Comissão Europeia", sublinhou o secretário-geral do PS.

"O nosso dever é cumprir esse acordo, mas não ir mais além, porque não é legítimo nem razoável pedir mais sacrifícios, ir mais além nas medidas de austeridade apenas para cumprir uma agenda ideológica. Espero que o PSD se lembre que o acordo foi negociado pelo Governo português com a 'troika' para defender o nosso país e não para suportar uma ideologia radical e aventureira que só prejudicaria o nosso país", acrescentou José Sócrates.

Ao almoço, em Coruche, José Sócrates voltou a responder a Pedro Passos Coelho: "Ontem o líder do PSD sugeriu que a troika, se votasse, votaria no PSD. É o momento de dizer ao líder do PSD que quem vota nas eleições não é a troika, é o povo, e quem vai decidir é o povo". Mais ainda, disse o líder socialista: "Ele vai ter a resposta do povo no próximo dia 5 de Junho! Pensaram que eram favas contadas, vão ver, vão ter uma grande surpresa!".

Perante algumas centenas de pessoas, o segundo ataque do dia passou pelo argumentário que já tem sido habitual. "Ele sempre quis que o FMI entrasse em Portugal. Eu lutei ano e meio para o evitar. E sei o preço que o país vai pagar por ter pedido ajuda externa. Lamento que nesse ano e meio o PSD não tenha feito outra coisa senão fazer uma guerrilha política para deitar abaixo o governo. Foi um dos gestos mais levianos que algum partido tomou neste país. Obrigou o país a pedir ajuda externa. Ele vai ter a resposta do povo no próximo dia 5 de Junho. Esta campanha vai ficar na história".

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