Qualquer um entra no DCIAP um ano e cinco meses após auditoria

Nem sempre há registo de entradas e os processos do procurador que acusa Sócrates continuam a ter acesso fácil

A inspeção do Ministério Público recomendou, depois da auditoria feita em setembro de 2013, que o departamento que investiga os grandes processos financeiros do país, do BPN ao caso Sócrates, melhorasse a "deficiente" segurança ao edifício. Porém, um ano e cinco meses depois da auditoria, o DN constatou com fontes conhecedoras da sede do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que, nesse aspecto, tudo continua na mesma.

Como os auditores reconheceram, as deficiências apontadas levaram o diretor do DCIAP, procurador geral adjunto Amadeu Guerra, a emitir uma ordem de serviço, em julho de 2013, para que só as pessoas que constam da lista de funcionários estejam dispensados do preenchimento de impresso. Mas as fontes ouvidas pelo DN referiram que o edifício do DCIAP, situado na rua Alexandre Herculano, em Lisboa, mantém o problema de segurança detetado pelos inspetores: nem sempre há registo das pessoas que entram e sempre é exigida a sua identificação. Por vezes os seguranças fazem o registo de forma "descricionária", em função da aparência da pessoa que vai entrar, referiu uma das fontes.

O procurador Rosário Teixeira, que acusa o ex-primeiro-ministro José Sócrates dos crimes de corrupção e branqueamento de capitais, entre outros, também ainda tem o seu arquivo de processos confinado a um corredor de acesso no piso-4 (uma cave), delimitado apenas por uma rede das zonas de estacionamento e circulação de veículos.

Quanto à segurança dos próprios processos da grande criminalidade económico-financeira do país, essa também se mantém deficitária. Segundo as fontes consultadas pelo DN, como as peças processuais ficam no edifício, qualquer pessoa pode ter acesso ao material dos inquéritos.

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