Negrão espera "afirmação de uma alternativa" longe do bloco central

Candidato à liderança da bancada do PSD recusou entrar em polémica com Hugo Soares

O candidato à liderança da bancada do PSD Fernando Negrão rejeitou hoje entrar em polémica com Hugo Soares e defendeu que o Congresso social-democrata será de "afirmação de uma alternativa" ao Governo, afastando-se de uma ideia de bloco central.

"O que espero deste Congresso é a afirmação de uma alternativa a quem nos governa atualmente, porque os portugueses e a democracia precisam de uma alternativa, isso é fundamental para o regular funcionamento do Estado de Direito e para que o país seja mais bem governado", defendeu Fernando Negrão.

À chegada ao Centro de Congressos de Lisboa para o 37.º Congresso do PSD, Fernando Negrão foi questionado sobre o seu papel enquanto líder parlamentar num eventual bloco central e afastou esse cenário: "Estamos tão longe disso, porque no parlamento o que nós vamos fazer é precisamente avançar para a construção dessa alternativa a quem nos governa atualmente".

Negrão disse ter "a certeza" de que a posição do novo líder, Rui Rio, será de "afirmação do PSD como uma verdadeira alternativa".

"Há muitos portugueses a olhar para o PSD e à espera de que isso aconteça e vai acontecer, com certeza", declarou.

O candidato à liderança da bancada recusou falar das críticas que Hugo Soares lhe dirigiu sobre os contactos que manteve com Rui Rio: "Com certeza que o dr. Hugo Soares também teve os seus contactos, cada um tem os seus, não vale a pena entrarmos por esse caminho da crítica dos contactos de cada um".

Questionado sobre se confia numa votação expressiva na sua candidatura à presidência do grupo parlamentar do PSD, Negrão disse acreditar que terá uma votação que lhe permitirá vir a ser o futuro líder da bancada do PSD.

Relativamente a um sinal de voto contra o próximo Orçamento do Estado a dar por Rui Rio neste Congresso, Negrão remeteu a questão para o novo líder.

"Ouviremos o dr. Rui Rio e ele com certeza falará sobre isso e se ele não falar, tenho a certeza de que os senhores jornalistas lhe farão essa pergunta", afirmou.

Em declarações à Lusa, David Justino, um dos responsáveis pela moção de estratégia de Rui Rio, recusou a ideia de que a nova liderança vá, no congresso, responder a "um caderno de encargos" dos seus adversários.

"Isto [o congresso] não é um concurso público, não há caderno de encargos", disse à agência Lusa o ex-ministro da Educação, à entrada para o 37.º Congresso Nacional do PSD, em Lisboa, questionado sobre as afirmações de dirigentes sociais-democratas quanto a clarificações quanto ao rumo do partido.

Para David Justino, "as opções estão feitas, a estratégia está muito explícita na moção sobre as eleições e ao que se avizinha".

A moção de estratégia "continua a ser a base de tudo", acrescentou.

E a preocupação da nova liderança deve também ser a da "construção da unidade do partido", a começar pela liderança da bancada parlamentar.

O Congresso do PSD começa hoje à noite no Centro de Congressos de Lisboa e prolonga-se até domingo.

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