Traição? Justino relativiza acusação dirigida a Rio

David Justino, candidato a vice-presidente do PSD, relativiza a polémica em torno da escolha de Elina Fraga para a direção do partido por Rui Rio, acusado de traição pela ex-ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz.

"Tenho muito respeito por Paula Teixeira da Cruz, mas discordo profundamente dessa opinião", afirmou David Justino, no 37.º Congresso Nacional do PSD, em Lisboa.

Rio escolheu hoje para vice-presidente do partido a ex-bastonária da Ordem dos Advogados Elina Fraga, que, em setembro de 2014, apresentou uma queixa contra todos os ministros do Governo PSD/CDS de Pedro Passos Coelho que aprovaram o mapa judiciário.

Horas depois, em declarações ao diário 'online' Observador, Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça e alvo da queixa de Elina Fraga, acusou o novo presidente de traição.

Questionado sobre esta acusação, e "apanhado de surpresa", David Justino relativizou a controvérsia e disse que "qualquer cidadão tem o direito de recorrer aos instrumentos de justiça ao seu dispor para contrariar uma decisão".

O candidato a vice-presidente dos sociais-democratas começou por dizer que não se sentia nem deixava de sentir confortável com esta controvérsia.

Depois, afirmou que a sua preocupação é com toda a equipa da direção, porque "é uma equipa coesa em que todos puxam para o mesmo lado".

Depois de ser noticiada a escolha de Elina Fraga, à tarde, no congresso, Paula Teixeira da Cruz lamentou que "todos aqueles que criticaram e atacaram Pedro Passos Coelho e o seu Governo nas horas mais difíceis estão agora a ser premiados".

"Esse prémio tem nome: chama-se traição", afirmou ao Observador.

David Justino adotou também a estratégia da desdramatização ao comentar o discurso de Luís Montenegro, o ex-presidente da bancada do PSD, que anunciou que vai deixar o parlamento a 05 de abril e prometeu ao partido que poderá no futuro disputar a liderança.

Sem nunca comentar diretamente as palavras de Montenegro, o futuro vice-presidente do PSD disse estar a pensar, "neste congresso, nos dois anos de trabalho" que tem pela frente.

O objetivo, afirmou, é o PSD ter uma "estratégia para ganhar as eleições europeias e as legislativas" de 2019.

"Tudo o que possa contrariar este cenário, para mim, não tem importância", acrescentou.

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