PSD quer ouvir Paulo Machado para ver se Governo mentiu

O PSD quer ouvir o ex-director-geral da Administração Interna no Parlamento, para apurar se o Governo mentiu, quando garantiu na sexta-feira que desconhecia até às eleições que o despacho de notificação dos eleitores não foi cumprido.

Em declarações à rádio TSF, o antigo director-geral da Administração Interna, Paulo Machado, desmentiu a versão apresentada sexta-feira pelo ministro Rui Pereira e pela secretária de Estado Dalila Aráujo, durante uma audição na Assembleia da República. "A decisão de não notificar não foi uma decisão unilateral da minha parte, foi uma decisão participada [...] Não foi sobretudo uma manobra minha à revelia das outras pessoas, não sou um delinquente (...) não trabalhei sozinho, nem sou um insubordinado", afirmou Paulo Machado à TSF. No entanto, Dalila Aráujo assegurou na sexta-feira que "foi omitido à tutela o não cumprimento do despacho" até ao dia das eleições, no qual foi ordenada a notificação dos cidadãos cujo número de eleitor tinha sido alterado, a propósito das eleições presidenciais de 23 de Janeiro.

"Precisamos de apurar de uma vez por todas o que aconteceu no ato eleitoral de 23 de Janeiro passado e precisamos de apurar principalmente se o ministro e a secretária de Estado disseram a verdade ou mentiram no Parlamento aos deputados", afirmou hoje o deputado do PSD Fernando Negrão. Segundo o social-democrata, é "fundamental" que Paulo Machado vá à Assembleia da República prestar "esclarecimentos" e dar "o seu testemunho", já que as declarações de hoje, a confirmarem-se, "desmentem por completo a tese" defendida na sexta-feira pelo Governo.

"Se mentiu aos deputados e aos portugueses essa exigência [do PSD] para [o ministro] tirar consequências politicas sai reforçada", sublinhou Negrão. Na sequência dos problemas registados, o ministro aceitou na terça-feira o pedido de demissão do diretor-geral da Administração Interna, Paulo Machado, mantendo-se no cargo o diretor-geral de Administração Eleitoral, Jorge Miguéis, que também tinha apresentado a demissão. Os partidos da oposição pediram sexta-feira no Parlamento a demissão do ministro da Administração Interna, apelos que Rui Pereira referiu serem "conversa oca".

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