PSD quer explicações do PGR sobre escutas ilegais

O PSD anunciou hoje que quer ouvir no Parlamento e à porta fechada o Procurador-Geral da República, na sequência das declarações que fez sobre escutas ilegais, admitindo chamar também os chefes dos serviços de informações.

Numa conferência de imprensa na Assembleia da República, o presidente da bancada parlamentar social-democrata, Miguel Macedo, criticou o Governo, afirmando que se este "tivesse sentido de Estado teria imediatamente chamado à presença do seu ministro da Justiça o PGR para esclarecer esta afirmação gravíssima", em entrevista ao DN no passado domingo.

Macedo admitiu também, e "em face do que ocorrer nessa reunião com o PGR, chamar os responsáveis pelos serviços de informação" ao Parlamento.

O Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) é constituído por dois organismos, o Serviço de Informações de Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED). Ambos os serviços mudaram recentemente de director, com Casimiro Morgado a substituir Jorge Silva Carvalho - agora quadro da Ongoing - no SIED e Horácio Pinto a ocupar o cargo de Antero Luís - nomeado secretário-geral do Sistema de Segurança Interna.

Durante o debate quinzenal com o Governo, Miguel Macedo interpelou o primeiro-ministro sobre as declarações de Pinto Monteiro. Já em declarações aos jornalistas, no final do debate, Sócrates afirmou não ter conhecimento de nenhuma escuta ilegal, considerando que o PGR não deixará de exercer as suas competências caso isso se verifique, declarações que o líder parlamentar do PSD considerou deixarem "no ar a ideia de que pode efectivamente haver escutas ilegais".

Miguel Macedo referiu que, depois de serem feitas as audições, não está "posto fora de parte a possibilidade de confrontar, de novo, como deve ser feito em qualquer Estado de Direito democrático, politicamente, o senhor primeiro-ministro".

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