PSD diz que "escola Sócrates" voltou, Costa responde com resultados

Debate subiu de tom no debate quinzenal

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, afirmou hoje que "a escola Sócrates voltou", acusando o primeiro-ministro de anunciar várias vezes "os mesmos programas, as mesmas medidas com um embrulho um bocadinho diferente".

"É o regresso dos programinhas, dos 'powerpoints', é o regresso da fantasia", acusou Luís Montenegro, na abertura do debate quinzenal na Assembleia da República.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, respondeu que o Programa Nacional de Reformas (PNR), que hoje o Governo escolheu para tema do debate, "não muda a cada mês porque não é uma pequena folha em branco com ideias gerais, é um programa articulado de medidas".

"Um ano depois nós temos mais cem mil postos de trabalho, a dívida líquida baixou de 121,6% para 120,6%, temos o défice mais baixo de toda a democracia portuguesa, temos os reformados e os funcionários com o seu vencimento por inteiro", afirmou António Costa.

O primeiro-ministro considerou que, pelo menos uma vez por mês, é importante fazer no parlamento o um balanço da execução do PNR.

Na sua intervenção, o líder parlamentar do PSD acusou o Governo de António Costa de ter "perdido um ano" e confrontou-o com os dados do abandono escolar precoce de 2016 e com os resultados de hoje da emissão de dívida.

Sobre o abandono escolar precoce, António Costa reconheceu que este aumentou 0,3% no ano passado e avançou possíveis explicações, como a diminuição do desemprego juvenil, o que motivou protestos da bancada do PSD, ou o aumento das taxas de retenção durante o anterior executivo PSD/CDS.

"Já se interrogou se será que não tem a ver com o desinvestimento que o seu governo fez no ensino profissional, com as reversões introduzidas no sistema da educação", questionou Montenegro.

Já sobre a emissão de dívida de hoje, o líder parlamentar do PSD salientou que na emissão a cinco anos Portugal pagou "mais 47% de juros", enquanto a sete anos pagou "o dobro, mais 100% de juros".

"Isto quer dizer que estamos a substituir dívida antiga por dívida nova mais cara do que aquela que estamos a substituir, isto quer dizer que a trajetória que vínhamos percorrendo se inverteu. Há um preço a pagar pela sua política económica, não está preocupado com isto", interrogou o presidente da bancada do PSD.

Na resposta, o primeiro-ministro confrontou Luís Montenegro com o aumento da dívida durante os quatro anos de governação social-democrata e, sobre as emissões de hoje, revelou ter falado com a presidente do IGCP que "estava muito satisfeita" pela elevada procura e por esta operação ter tido como efeito a redução da taxa de juro da dívida nacional.

"A gestão da dívida do seu Governo é um desastre, tem de acordar para este problema porque isto vai-lhe rebentar nas mãos", alertou Montenegro.

O líder parlamentar social-democrata envolveu-se ainda numa troca de palavras com o presidente da Assembleia da República, depois de Ferro Rodrigues lhe ter dado a palavra referindo-se a Montenegro como "o porta-voz do PSD neste momento".

"Creio que sabe que exerço as funções de líder da bancada há seis anos. Sempre que o senhor primeiro-ministro fica assim atrapalhado já sabemos que contamos com o seu comentário", afirmou Luís Montenegro.

Mais à frente no debate, Ferro Rodrigues respondeu: "Sei há muito tempo que é líder parlamentar do PSD, a única observação é que era o porta-voz fundamental do partido neste debate e não os apartes".

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