PSD agita-se para o pós-autárquicas... adversários de Passos marcam terreno

Nos bastidores há movimentações contra o presidente do partido, mas é pouco provável que Passos Coelho veja a liderança em risco.

demissão do presidente da concelhia do PSD de Lisboa, Mauro Xavier, foi mais um sinal de que o partido se está a agitar para o pós autárquicas de outubro. Um momento que até o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sinalizou como de avaliação da situação política. Estará mesmo em risco a liderança de Pedro Passos Coelho em caso de um mau resultado eleitoral?

"Aparentemente, Passos Coelho continua a dominar o aparelho do partido. O fundamental da máquina que elege o líder ainda está com ele" - esta é a análise que o politólogo António Costa Pinto faz da situação atual do PSD apesar de algumas vozes sociais-democratas se começarem a ouvir em contravapor ao líder, entre outros o seu ex-braço direito Miguel Relvas.

A análise do politólogo confere com as fontes do PSD ouvidas pelo DN. "Tirando meia dúzia de pessoas, que têm interesses muito específicos, o partido ainda está com o presidente, até porque continua a estar bem presente que ele ganhou as eleições legislativas", diz um deputado social-democrata.

As mesmas fontes admitem, porém, que há movimentações entre as tropas dos potenciais candidatos à liderança do PSD. Miguel Relvas, o antigo ministro adjunto, é apontado como um dos "generais" que estarão na base destes movimentos.

Depois de se ter demitido do cargo, na sequência da polémica sobre a sua licenciatura, em abril de 2013, Miguel Relvas remeteu-se ao silêncio e só muito recentemente se começou a movimentar nos bastidores, garantem-nos as fontes, no sentido de preparar o caminho a uma candidatura alternativa à de Passos Coelho, o homem que ajudou a catapultar para a liderança do partido em 2010.

Dos bastidores, Relvas passou agora ao palco e já aponta o nome que gostaria de ver a comandar o PSD. O "rosto de futuro" do partido é, para ele, Luís Montenegro, atual líder parlamentar do PSD. Ainda há poucos dias o ex-ministro aconselhava o partido a "virar a página" e a ultrapassar o facto "de ter ganho as eleições e estar na oposição".

Mas no PSD há várias figuras que consideram pouco provável que Luís Montenegro ou até o eurodeputado Paulo Rangel avancem contra Passos Coelho, mesmo que este tenha um mau resultado eleitoral autárquico. Até por que consideram que, tanto um como o outro, apesar de serem vistos como potenciais futuros candidatos à liderança, têm mostrado solidariedade para com o líder.

Já as dúvidas sobre um eventual avanço de Rui Rio, que se mostrou aberto a essa possibilidade em entrevista ao DN há uns meses, assentam mais na ideia de que já esteve para o fazer várias vezes e recuou.

"As movimentações que existem no PSD não são para fazer cair o líder agora, são para marcar terreno", frisa ao DN António Costa Pinto.

Para o politólogo, mais do que a contestação interna - normal se os resultados nas autárquicas se revelarem fracos -, é a resistência do governo de António Costa que ditará o tempo de reinado de Passos Coelho no PSD. "Quanto mais tempo durar este governo pior será para o líder do PSD, que vai enfraquecendo", diz. António Costa Pinto admite que pode vir a ser Passos Coelho - mas muito provavelmente só em 2019 e se as eleições legislativas ditarem uma maioria absoluta ao PS - a deitar a toalha ao chão. De outra forma ele só antecipará eleições internas para reforçar a sua liderança e só quando pressentir uma ameaça séria, refere o mesmo politólogo.

Passos escreveu ontem um artigo de opinião na newsletter do PSD em que acusou a maioria de esquerda de "falsa alternativa". E contrariou "em absoluto" que a recuperação económica tenha nascido com este governo".

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