Protesto de professores com pouca adesão

Menos de meia centena de professores contratados e desempregados responderam hoje ao apelo lançado pelo Facebook para uma concentração no Largo Camões, que alertou para o risco de desemprego de 25 mil docentes, no próximo ano letivo.

"As pessoas acreditam pouco que seja possível mudar alguma coisa", disse à agência Lusa Cláudia Ribeiro, professora de Matemática do 3.º ciclo do Ensino Básico, para quem medidas como a revisão curricular do Governo estão a "destruir" o seu sonho e o de muitos outros professores.

A docente, que nos últimos três anos optou por colocações em escolas ditas "problemáticas", ensina há oito anos, mas este ano decidiu que "já chega" e aderiu ao protesto dos professores contratados e desempregados, criticando a revisão curricular, que afirma vir tirar horários às escolas que têm piores resultados nos exames, as mesmas "problemáticas" onde tem escolhido ensinar.

"O que está em causa é a escola pública", declarou, admitindo que, tal como muitos milhares que são contratados por um ano mas com contratos renovados mensalmente, nem sequer é considerada formalmente uma professora, mas "um indivíduo qualificado para a docência".

Cláudia afirmou que "há tanta coisa a ficar mal" com a política seguida pelo Ministério da Educação e Ciência de Nuno Crato, da revisão curricular ao aumento do número de alunos por turma, que não sabe "como é que se vai salvar isto".

A julgar pela concentração marcada para hoje, a desmobilização é grande: dos 199 que clicaram na opção "vou participar" na rede social Facebook, nem um quarto apareceu na rua.

Uma outra professora ouvida pela Lusa culpava o "ativismo de sofá", em que o compromisso com a luta dos colegas fica à distância de um botão e de um "gosto", mas depois não dá nem mais um passo.

Cláudia Ribeiro indicou a percepção generalizada de que "ninguém ouve" os protestos, mas, para si, há que insistir e "deixar de falar 'troikês' e pensar só na 'troika'", indicando que "a Educação tem ministério próprio, não depende das Finanças".

Carlos Gomes, professor de Educação Visual e Tecnológica, afirmou que também há nos docentes, e na população em geral, a ideia de que "a contenção pode ter resultados", o que de certo modo as tranquiliza.

Mas o docente de uma área que terá uma das maiores reduções de horário, com a entrada em vigor da revisão da estrutura curricular, defendeu que, na educação, se pode fazer uma gestão de recursos sem "mandar uma geração de jovens professores licenciados para o desemprego".

Na sua escola, tem "arrecadações com ar condicionado", depois das obras realizadas pela Parque Escolar.

No entanto, quem decide acha que "é mais fácil" despedir professores do que "fazer uma revolução na maneira como as escolas são geridas e como funcionam".

Assim, afirma, o país está a desperdiçar o investimento que fez na formação dos professores e a jogar fora a sua "capacidade criativa e conhecimento".

Para Carlos Gomes, a escola do "ler, escrever e contar" não chega para formar as gerações futuras, que precisam de ter "um sentido estético" sobre a sociedade e sobre o que as rodeia.

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