Professor primário marcou... à reguada

O DN lançou a iniciativa Professor do Ano, que visa reconhecer os melhores docentes, com a ajuda das comunidades educativas. Hoje, Francisco Seixas da Costa, diplomata e atual diretor do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, em Lisboa, lembra os altos e baixos do percurso de aluno. E o professor de Geografia que o influenciou

Qual é a sua recordação mais antiga dos tempos de estudante?

A minha ida para a escola no primeiro dia e uma frase que o meu avô que me disse: "A partir deste dia nunca mais tens liberdade". Tinha seis anos e essa frase ficou para a vida. Fiz a primária em Vila Real, Trás-os-Montes, entre 1954 e 1958, na escola Conde de Ferreira. Nunca me esqueço que esperávamos pelo professor e, quando ele passava, estendíamos a mão na tradicional saudação romana ou fascista que era como se recebia o professor de acordo com as regras do ensino da época.

Esse professor foi marcante ou nem por isso?

O meu professor de escola primária era uma personagem marcante... no sentido físico. Dava-nos palmadas regulares com uma régua grossa. Foi marcante nas minhas mãos. Mais do que isso não foi. Era o professor Pena.

E onde fez o liceu?

Fiz o liceu em Vila Real, entre 1958 e 1965 - chumbei um ano no final. Era o Liceu Nacional Camilo de Castelo Branco.

E nessa fase, teve professores importantes para o seu percurso?

Vários. Diria que há um professor de quem me recordo muito, de geografia, o professor Ladislau, que era um homem com um grande sentido de criatividade e de estímulo aos alunos. Foi um pouco por iniciativa dele que criámos o Centro de Estudos Geográficos do Liceu Nacional de Vila Real, onde tínhamos atividades muito criativas para o que era o ensino parado e estático da época. Foi o que mais marcou a diferença. Era um senhor de Braga que via muito mal, mas era um extraordinário professor de Geografia.

Esse professor contribuiu de alguma forma para o interesse pelo mundo que o levaria à carreira diplomática?

Não tenho dúvida de que começou com ele muito do meu interesse pela geografia politica, pelos países, pela análise das realidades dos diferentes continentes. Devo-lhe alguma da minha curiosidade como viajante. Aliás, tínhamos uma revista chamada Meridiano na qual escrevíamos artigos sobre assuntos vários de geografia. O que era muito pouco comum num liceu de província daquela época.

Ainda assim não seguiu uma via direta para a diplomacia. Chegou a ser publicitário, não é verdade?

Sim. Eu depois do liceu fui estudar Engenharia Eletrotécnica para a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde fui talvez um dos piores alunos da história daquele curso em Portugal. Fiz duas cadeiras em dois anos, o que significa que, se tivesse mantido esse ritmo, estaria agora a acabar o curso. Depois f ui estudar Ciências Sociais e Política Ultramarina, para o atual ISCSP. Tinha como diretor o professor Adriano Moreira, que também me marcou bastante do ponto de vista académico. Empreguei-me na parte final do curso, que foi um pouco atribulada do ponto de vista académico. Fui trabalhar para a Caixa Geral de Depósitos e também em publicidade.

Mas o gosto pelas viagens acaba por levá-lo a concorrer à carreira diplomática...

Fiz o concurso depois para o Ministério dos Negócios Estrangeiro, em 1975. Também tinha no júri pessoas marcantes como o professor Cavaco Silva. E a partir dai fiz uma carreira que acabei agora [deixou de ser embaixador em França e embaixador não residente no Mónaco a 31 de janeiro deste ano].

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