Processo disciplinar a professora suspeita de passar perguntas do exame de Português

Medidas para alunos eventualmente beneficiados só serão decididas depois de concluído processo disciplinar à professora

A professora suspeita de passar informações sobre o exame de Português vai ser alvo de um processo disciplinar, anunciou esta quinta-feira o Ministério da Educação. E só quando o processo à professora for concluído será decidido se se tomam medidas em relação aos alunos eventualmente beneficiados.

Em comunicado, a tutela diz que este é o resultado do processo de inquérito da Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) às denúncias sobre conhecidos conteúdos do exame de Português 639 de 19 de Junho de 2017.

O caso foi revelado por um áudio que circulou nas redes sociais, divulgado pelo Expresso. Na gravação ouvia-se alguém a dizer que tinha sabido por uma amiga, que por sua vez tinha sabido por uma professora, o que saía no exame. A prova foi realizada por 74 mil alunos.

Segundo o semanário Expresso, a docente em causa é a presidente da Associação de Professores de Português, mas, em declarações ao DN, Edviges Ferreira disse não ter conhecimento de qualquer processo disciplinar. "Tenho 41 anos de carreira como professora, que falam por si, sempre sem qualquer mácula disciplinar. Obviamente, não cometi qualquer falha ou irregularidade", sublinhou.

No caso dos alunos que podem ter sido eventualmente beneficiados por conhecerem a matéria de antemão, "não tendo sido possível apurar que o conhecimento da informação se tenha traduzido em benefício mensurável, a IGEC propôs, e foi aceite, que se aguarde a conclusão do processo disciplinar à docente para a aplicação de eventuais medidas", explicita o ministério, que já tinha decidido não anular a prova.

Foi ainda instaurado um processo de inquérito para apurar se os procedimentos existentes no Instituto de Avaliação Educativa, I.P. estão a ser devidamente seguidos.

Por terem um trabalho que decide a vida de milhares de jovens - na entrada para o ensino superior -, quem aceita a missão de criar os exames nacionais está sujeito a regras apertadas - bem como as outras pessoas envolvidas no processo. Assinam, por exemplo, um contrato de confidencialidade que os limita a não revelar a sua função.

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