Privados querem ver os rankings a medir áreas novas

Diretor executivo da AEEP defende formas de medir a criatividade e o trabalho de equipa para que estas sejam estimuladas nas escolas. Ministro é contra as listagens

O diretor executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) faz um balanço positivo dos 12 anos de divulgação dos rankings das escolas, nos quais os colégios privados voltam a destacar-se neste ano. Mas admite a necessidade de se encontrarem formas de valorizar competências que não são tratadas nos indicadores atuais.

"Os rankings, com todas as suas limitações, vieram criar tensões positivas no sistema educativo", defendeu ao DN Rodrigo Queirós e Melo. "Por mais que se tente desvalorizar, toda a gente começou a trabalhar para que os alunos tivessem mais sucesso nos exames", disse, citando um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, coordenado pela ex-ministra da Educação Maria do Carmo Seabra, que demonstra que ao longo de uma década "quase 40% das escolas privadas mais mal classificadas nos primeiros rankings fecharam e outras 40% subiram os seus desempenhos".

Além dos rankings com base nos exames - nas listagens elaboradas pelo DN, a Academia de Música de Santa Cecília, de Lisboa, ficou em primeiro lugar no secundário e o Colégio Minerva, de Setúbal, lidera no 9.º ano -, são há dois anos publicadas listagens com base nos Percursos Diretos de Sucesso, um indicador desenvolvido pelo Ministério da Educação que valoriza percursos sem retenções e com positivas nos exames. Nessa tabela, o primeiro lugar do secundário entre os estabelecimentos que maior valor acrescentam aos resultados dos seus alunos, na comparação com escolas semelhantes, foi para o colégio com contrato de associação de São Miguel, em Fátima. Um facto sublinhado pela AEEP, depois da polémica com o governo devido aos cortes neste tipo de contratos: "Nunca dissemos que o privado é por natureza melhor do que o público. O que dissemos foi que o privado faz serviço público com todo o tipo de alunos. E isto veio demonstrá-lo", sublinhou.

Mas o indicador dos percursos, acrescenta, também veio trazer "maior robustez" às listagens, tornando mais difícil às escolas "usar o chumbo como instrumento pedagógico", porque "começaram a fazer-se rankings onde isso é mau".

O facto de estas métricas "não serem neutras", por influenciarem as opções das escolas, pode ser bom ou mau, defende o dirigente da AEEP. O desafio será escolher que métricas utilizar, pois, defende, talvez seja chegado o momento de se começarem a valorizar "as chamadas soft skills, as competências do século XXI. Melhor preditor de sucesso do que ter 18 num exame, sabe-se hoje, é a capacidade de trabalho de equipa, a criatividade. É altura de deixarmos de olhar para os alunos como máquinas para os exames", defendeu.

"Ritual em desgaste"

Militantemente contra qualquer tipo de rankings continua a assumir-se a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que, em comunicado, classificou estas publicações como "um ritual em desgaste", com a organização sindical a classificar como "um jogo" os esforços da comunicação social para "contextualizar melhor as escolas em exposição e até procurar sentidos de progressão nesses resultados".

Para a organização sindical, "trata-se de métodos que não concedem virtude ao que não a tem: esta não é a forma de avaliar escolas, de traduzir o seu rendimento efetivo, de atestar o modo como preparam os seus alunos para a vida", defendeu. "Os resultados dos exames são apenas um de muitos indicadores que expressam a complexa realidade em que vivem as escolas portuguesas."

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, lembrou ontem já ter assumido não ser "adepto de listas seriadas", por considerar que "o bom trabalho que se faz nas escolas vai muito além dos rankings". Ainda assim, lembrou que em nome da "transparência" o governo lançou novos indicadores, como os percursos de sucesso, para "valorizar" o trabalho das escolas.

Representantes das escolas reagiram às listagens com críticas à escassez de apoios aos estabelecimentos com maiores dificuldades, enquanto do lado dos pais se defendeu que as listas são um "instrumento de reflexão".

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