Praxes na praia de Faro. Caloira hospitalizada em coma alcoólico

"Os novatos a ser enterrados na areia, deitados na horizontal, enquanto outros lhes despejavam garrafas de álcool para a boca".

Uma praxe, levada a cabo por alunos da Universidade do Algarve, esta quarta-feira à noite, na praia de Faro, foi interrompida por familiares de um dos caloiros envolvidos no ritual, quando se aperceberam que estavam a ser cometidos excessos. Uma aluna do primeiro ano estava aparentemente em coma alcoólico e foi chamada ao local uma ambulância e solicitada a presença da GNR. A aluna de 19 anos continua internada.

Apesar de os alunos mais velhos garantirem que não se tratava qualquer atividade de praxe, cerca de 50 jovens do curso de Biologia, da Universidade do Algarve, foram vistos por um morador, que prefere o anonimato, a serem sujeitos a práticas que, segundo afirmou ao DN, não deixam dúvidas: "Foi claramente uma praxe, os mais velhos obrigavam os outros entrarem, meio despidos, dentro da Ria Formosa e diziam 'Vá, abre a boca e bebe, bebe... agora mergulha!'"

Segundo o que o DN apurou, os estudantes estavam divididos em grupos, uns no lado da Ria, outros no lado do mar. No areal, eram visíveis marcas que davam a entender o arrastamento de pessoas, penas de aves espetadas na areia, garrafas vazias de gin, vodka, absinto, whisky, vinho, entre outras bebidas alcoólicas, num total de cerca de três dezenas de garrafas.

Isabel Lopes, avó de uma das alunas, por coincidência no local, contou ao DN que viu "os novatos a ser enterrados na areia, deitados na horizontal, enquanto outros lhes despejavam garrafas de álcool para a boca", mas diz que só se apercebeu da gravidade da situação quando viu chegar uma ambulância: "Como estava escuro, tive que me chegar mais perto para ver o que tinha acontecido e apercebi-me que era a nossa menina... já não falava. E outros vomitavam...".

O alerta foi dado por outro familiar que não quis adiantar mais pormenores acerca do sucedido, apenas confirmou que chamou as autoridades e indicou o local para onde os estudante foram continuar a noite, um restaurante ali perto.

Quando o pai da jovem de 19 anos que se encontrava com sintomas de coma alcoólico chegou à Praia de Faro, a ambulância já lá se encontrava, assim como a Polícia Marítima e a GNR. "Deparei-me com muitos estudantes, alguns visivelmente embriagados, entrei pela ambulância adentro e vi que era a minha filha Ana que lá estava... e que não dizia uma palavra, estava em coma alcoólico", contou ao DN Ricardo Galego.

O pai da aluna do primeiro ano, que foi depois transportada para o Hospital de Faro, diz que tinha outra ideia das praxes: "por aquilo que me tenho apercebido até agora, têm sido brincadeiras mais calmas... agora... à noite, enterrados na areia, alcoolizados e a terem que entrar dentro do mar... é uma atitude irresponsável e perigosa!"

Segundo fonte policial que esteve no local, as praxes na Praia de Faro são frequentes e "ainda na segunda-feira passada se passou uma situação parecida". As autoridades identificaram alguns dos alunos e recolheram indícios no terreno.

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