Portugueses são dos que têm menos consultas médicas

Relatório da OCDE recomenda que centros de saúde estejam abertos até mais tarde. Portugueses estão satisfeitos com os médicos

Os portugueses são os que têm menos consultas médicas, a par da Suécia e da Finlândia, entre os 36 países da OCDE. Segundo o relatório Health at a Glance, publicado ontem, em 2014 cada português teve em média 4,1 consultas por ano enquanto que na Hungria - no primeiro lugar da tabela - cada habitante teve em média 11,8 . Ainda assim, a opinião dos portugueses sobre os médicos é positiva: explicam bem e envolvem os pacientes nas decisões clínicas. O documento sugere que se evitem idas desnecessárias às urgências alargando os horários nos centros de saúde. O Ministério da Saúde espera reduzir de um milhão para 600 mil os utentes sem médico de família até final do ano.

"A média europeia é de sete consultas por pessoa por ano, embora a maioria dos países declarem entre cinco e oito. Fatores culturais parecem explicar algumas das diferenças entre os países, mas certamente que as características dos sistemas de saúde têm importância. Os países com pagamentos por ato tendem a ter um número maior de consultas do que os países em que os médicos têm salário definido", refere o estudo da OCDE, indicando que os dados de Portugal não incluem as consultas no privado.

Nos últimos anos têm sido várias as denúncias feitas pela Ordem e pelos sindicatos da pressão exercida sobre os médicos de família, com aumento da lista de utentes e redução dos tempos de consultas. Ainda assim, os portugueses são dos que mais estão satisfeitos com os seus clínicos habituais, a par da Bélgica e do Luxemburgo, considerando que dão explicações compreensíveis, que passam tempo suficiente com eles nas consultas e que se sentem envolvidos na decisão do médico.

Quanto a outros indicadores, Portugal mostrou bom controlo das doenças crónicas como diabetes e asma e foi dos que mais reduziu o número de novos casos de VIH. A esperança média de vida aumentou, mas as portuguesas são das que vivem menos anos saudáveis.

Pobres com mais limitações

"Cerca de 3,6% da população europeia, em 2014, declarou necessidades de saúde não satisfeitas por razões financeiras, distância, tempo de espera", diz a OCDE. As dificuldades tornaram-se mais evidentes depois da crise entre as pessoas com mais baixos rendimentos. "Em Itália e França a proporção de pessoas que reportou necessidades de saúde não satisfeitas por razões financeiras entre os que têm menos rendimentos aumentou mais de 50% entre 2008 e 2014. Na Grécia a proporção mais que duplicou, ao passo que triplicou em Portugal no mesmo período".

O relatório refere ainda que são as pessoas com mais necessidades económicas, menos escolaridade e a viver em zonas mais limitadas que também recorrem mais às urgências. O uso desnecessário destas é um dos indicadores de avaliação dos níveis de acessibilidade aos centros de saúde: 27% (média) dos pacientes europeus disse ter ido às urgências porque os centros de saúde não estavam disponíveis. Portugal está acima da média europeia, com cerca de 30% a fazer esta afirmação. Dinamarca, Bélgica e Grécia têm as percentagens mais baixas (15%).

"Para melhorar a acessibilidade nos centros de saúde e limitar o uso inapropriado das urgências, os sistemas de saúde devem desenvolver os cuidados de saúde primários, especialmente para emergências fora do horário normal de trabalho", sugere a OCDE, reforçando que a oferta limitada em horário pós laboral leva a urgências desnecessárias.

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