Portugal tem "caminho longo" a percorrer na limpeza de vegetação nas zonas de risco, diz investigador

O investigador Xavier Viegas, da Universidade de Coimbra (UC), disse hoje que Portugal tem "um caminho longo a percorrer na redução de combustíveis" nas zonas de maior risco de incêndio florestal.

"Há muita vegetação no solo que não ardeu nos anos anteriores", declarou hoje à agência Lusa Domingos Xavier Viegas, catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, com trabalhos publicados nesta área. Em declarações à Lusa no dia em que a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) apresenta o dispositivo de combate a incêndios florestais, Xavier Viegas acrescentou que "têm faltado planos de limpeza dessa vegetação" que poderiam "melhorar a segurança" de pessoas e bens, "nomeadamente em zonas críticas". "Temos ainda um caminho longo a percorrer na redução de combustíveis", acrescentou. Ressalvando que "tem melhorado nos últimos anos" a intervenção neste domínio, em particular das autarquias, Xavier Viegas deu o exemplo da Câmara Municipal de Coimbra, que "tem feito a limpeza" do material combustível junto a algumas estradas do concelho.

Já a "criação de espaços de fogo controlado" no país "não tem tido a expressão que era desejável". Antes das chuvas de hoje e segunda-feira, "uma parte do país estava com risco elevado ou muito elevado" de incêndio, o que "é um bocado surpreendente para o início de Abril". "Vamos lá a ver se as coisas acalmam e este período de mais baixo risco se prolonga um pouco mais", afirmou Xavier Viegas. Por outro lado, o também presidente da Associação de Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) admitiu ser necessário "que as pessoas valorizem o aspecto económico do combate", contribuindo para a redução das despesas face aos fogos, "incluindo no emprego de meios aéreos". "Talvez estes meios não estejam a ser utilizados sempre com maior economia", sublinhou.

Segundo a ANPC, o dispositivo especial de combate a incêndios de 2011 terá menos meios envolvidos do que em 2010, uma redução justificada pela "necessária contenção da despesa pública". O dispositivo será constituído, na fase mais crítica de fogos (fase Charlie, entre 01 de Julho e 30 de Setembro), por 41 meios aéreos (34 helicópteros médios e ligeiros para ataque inicial, cinco helicópteros pesados e dois aviões médios anfíbios para ataque ampliado). Quanto aos meios terrestres, o dispositivo incluirá nesse período 9.210 elementos, 2.197 equipas, grupos ou brigadas das diferentes forças e serviços envolvidos e 2.019 viaturas, além de 12 máquinas de rasto, cedidas pela Autoridade Florestal Nacional. Em 2010, estiveram operacionais na fase Charlie 9.985 elementos, 2.177 veículos e 56 meios aéreos.

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