Portugal e Espanha preparam troca de rins para transplante cruzado

Partilha de lista de dadores e recetores com o país vizinho pode arrancar já em abril. Em Portugal, 13% população está em risco de ter doença renal grave

Miguel Mestre, 39 anos, espera há quatro anos por um novo rim. O segundo. Fez o primeiro transplante com 16 anos, depois de um vírus provocado por uma inflamação na garganta se ter alojado num rim. Por agora faz hemodiálise. É um dos 11 mil portugueses na mesma situação. Está na lista de transplantes e na de doações cruzadas, sistema usado quando há um dador vivo disponível mas que não é compatível. "A minha sogra é de ouro", brinca. Anseia pela parceria com Espanha, que pode começar já em abril, que permita trocar dadores e recetores num programa comum de transplante cruzado. Hoje assinala-se o Dia Mundial do Rim.

O transplante renal cruzado permite que um dador que não é compatível com o doente possa dar o rim um outro par na mesma situação. O único feito em Portugal tem dois anos. Neste momento, em lista estão 16 pares inscritos à espera de dadores e recetores compatíveis com quem possam trocar órgãos. "Este é um programa difícil de implementar porque temos poucos pares. Estamos à procura de respostas e nesse contexto esperamos encontrar doentes em Espanha que sejam compatíveis com os nossos", diz ao DN Ana França, do Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), referindo que o país vizinho já tem 100 pares estudados. "É uma oportunidade de ajuda mutua, está planeada e faladas entre as duas autoridades da transplantação. Em abril temos uma reunião nossa onde vamos avaliar se há pares compatíveis em Portugal. Se não houver, vemos se Espanha têm. É uma janela de oportunidade para que os doentes possam ter um rim", avança.

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