Portas regressa ao CDS com Angola e Rússia na agenda

Escola de quadros. Paulo Portas e o socialista António Vitorino falaram esta noite sobre Política Internacional

Ainda na ressaca causada pela recente polémica relação ao MPLA, o CDS ouviu esta noite o seu ex-presidente, Paulo Portas, defender que "é de interesse" do nosso país "ter boas relações com Angola" e que "Portugal não deve querer explicar aos angolanos como devem ser angolanos. Eles é que sabem da sua vida". O ex-líder falava na escola dos jovens quadros centristas que decorre em Peniche, onde foi, com António Vitorino, ex-ministro socialista e ex-comissário europeu, orador num painel sobre "Os desafios de Portugal no atual contexto internacional".

Paulo Portas caucionou assim a posição assumida pela direção do partido, em aceitar o convite para participar no congresso do MPLA, em agosto passado, que depois provocou acesa polémica no CDS quando o centrista enviado, Helder Amaral, destacou a maior proximidade entre os dois partidos. Portas também esteve presente nesse congresso, como convidado especial do presidente angolano José Eduardo dos Santos.

"Angola tem mais de 100 mil portugueses, duas mil empresas nacionais e 10 mil empresas em Portugal a exportar para lá. Estes factos tão importantes dão razão a escola diplomática que sabe que deve defender os interesses portugueses e não ter a atribuição de explicar aos angolanos como devem ser angolanos. Quem sabe do futuro dos angolanos são os angolanos. Respeitemos isso".

Portas fez uma análise dos pontos que considera críticos no cenário Internacional destacando, entre outros, a crise dos refugiados e a ameaça terrorista. Portas situou a origem dos problemas, quer dos refugiados quer do terrorismo, na Síria. E é num acordo com a Rússia que vê uma possível solução.

"Muitos podem fingir que não veem, mas os problemas mais urgentes neste momento na UE são a crise migratória e a vulnerabilidade aos ataques terroristas. Mais de metade dos refugiados têm origem na Síria e grande parte dos Campos de treino dos terroristas e o ensinamento da doutrina são também na Síria. Lamento dizer mas é esta a realidade. E não vejo forma de resolver o problema da Síria sem um acordo com a Rússia no Conselho de segurança da ONU".

Este jantar-debate era um dos momentos altos da Escola de Quadros e contou também com a presença da presidente do partido Assunção Cristas, que se juntou à mesa com Paulo Portas. O ex-líder centrista mereceu ruidoso aplausos da mais de uma centena (135) de participantes neste centro de formação dos militantes da Juventude Popular (JP). "Um dos compromissos que assumi quando decidi fazer uma mudança radical na minha vida foi guardar um lugar, que é a forma de expressar o meu carinho pela JP, foi ajudar na formação política da juventude", assinalou no início da intervenção. Ressalvou ainda que só iria falar de política internacional e que as suas opiniões eram "apenas" suas.

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