Portas não quer substituir socialismo por liberalismo

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou 'não querer substituir o socialismo pelo liberalismo' na Constituição e acusou PS e PSD de usarem a revisão da Lei Fundamental como 'arma de arremesso'.

'O CDS não quer o socialismo na Constituição, pela simples circunstância de que há muitos portugueses que não são socialistas, mas também não queremos substituir o socialismo pelo liberalismo', defendeu Paulo Portas, em conferência de imprensa, na sede do CDS, em Lisboa.

O presidente dos democratas cristãos insistiu que a Lei Fundamental 'deve ser o mais possível neutral do ponto de vista ideológico', com o objetivo de ser uma Constituição em que 'todos os portugueses se possam rever'.

Paulo Portas declarou que 'o CDS vai tratar a revisão constitucional como uma questão de Estado e não como uma arma de arremesso', acusando PS e PSD de 'estarem a usar o tema com bastante fingimento'.  

'O PSD usa a revisão constitucional para fingir que não tem um acordo com o Governo na política económica, fiscal e social. O PS usa a revisão constitucional para fingir que é o partido do Estado Social', argumentou.

Portas não quis referir-se ao conteúdo do anteprojeto do PSD, mas adiantou que o emprego ou desemprego não tem sido provocado pelo artigo da Constituição que estabelece o despedimento 'por justa causa' e que os sociais democratas admitem substituir por uma 'razão atendível'.

'O importante não é liberalizar o despedimento, é flexibilizar a contratação', afirmou.

Segundo Portas, 'o CDS fará propostas para melhorar a Constituição', de forma a 'chegar um compromisso', sublinhando que o objetivo dos democratas cristãos é 'trabalhar para o que é possível, não exigir um impossível'.

O presidente dos democratas cristãos declarou que o CDS entregará o seu projeto de revisão constitucional, que está a ser desenvolvido há dois meses por um grupo de trabalho coordenado por Luís da Cruz Vilaça, numa versão final e 'consistente' e 'não a conta gotas'.

'O que entregarmos não é para ser retirado', afirmou.

Portas criticou ainda o calendário desta revisão constitucional, afirmando que 'não tomaria a iniciativa de rever a Constituição antes das presidenciais', argumentando que 'não se deve contaminar a eleição do Presidente da República com a discussão sobre os poderes do Presidente da República'.

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