Pedrógão: arguidos indiciados por homicídio por negligência

Segundo comandante distrital de Leiria e comandante dos bombeiros locais foram constituídos por factos suscetíveis de integrarem também ofensas corporais

O inquérito à tragédia de Pedrógão Grande já tem dois arguidos constituídos, confirmou esta terça-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR) ao DN, estando "em causa", segundo a fonte oficial da PGR, "factos suscetíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência".

Os dois arguidos são o segundo comandante distrital de Operações de Socorro de Leiria, Mário Cerol, e o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, António Arnaut.

O primeiro confirmou à agência Lusa que foi constituído arguido, depois do Diário de Leiria ter avançado esta terça-feira com a informação. E pouco mais disse. "Não posso falar mais nada", escusou-se, adiantando apenas que não está a ter apoio jurídico por parte da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Já António Arnaut foi constituído arguido depois de ter sido ouvido esta terça-feira no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Leiria na "qualidade de denunciado". De denunciado acabou arguido: segundo Magda Rodrigues, advogada da Liga dos Bombeiros Portugueses, o "estatuto processual do arguido permite mais vantagens e mais direitos", mas não precisou os eventuais crimes pelos quais o bombeiro voluntário de Pedrógão Grande está indiciado.

De acordo com a advogada, Augusto Arnaut está "de consciência tranquila" e diz que "tudo fez para que o desfecho fosse outro", mas adiantou que o comandante (que é bombeiro há 32 anos e está ligado ao corpo de comando há cerca de 18) "lamenta" toda a situação, salientando que "o ênfase que se dá a este processo obviamente faz reviver a todos, sobretudo, às vítimas, os momentos de sofrimento de dor e angústia". "E, portanto, queremos que a justiça faça o seu papel, de uma forma célere eficaz e silente".

À porta do tribunal de Leiria, um representante da Associação dos Comandos dos Bombeiros Portugueses, Jorge Mendes, disse estranhar que apenas os comandantes estejam a ser chamados para responder em tribunal no âmbito do inquérito. "O que acho muito estranho é começar-se pela estrutura de baixo", atirou, questionando onde está a proteção civil.
com Lusa

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