PCP quer "ruptura democrática à esquerda" e apela ao voto "de forma significativa"

O deputado do PCP Jorge Machado defendeu hoje que o partido quer uma "ruptura democrática à esquerda" e defendeu não existir apenas a hipótese PS ou PSD para formar governo.

"Acreditamos que Portugal pode ter um governo de esquerda, assim o queira o povo. Não temos apenas a hipótese PS ou PSD, o povo não tem apenas a hipótese de levar um tiro no peito ou uma facada nas costas e portanto não tem que escolher entre o mau e o muito mau", salientou o deputado, à margem de uma conferência de imprensa sobre o sector das conservas. Jorge Machado salientou que o povo português "tem outras opções, escolhas" e apelou a que "vote à esquerda e na CDU de forma significativa e verá que há outros caminhos para o país". "É preciso uma ruptura democrática e de esquerda e pormos no governo quem governe em função dos interesses da maioria e não em função dos interesses de grupos económicos. É essa ruptura que queremos para que se dê volta a esta situação", destacou.

Questionado sobre a possibilidade de o PCP se juntar ao Partido Socialista, o comunista respondeu que o que interessa ao partido "são as opções políticas" e as tomadas pelo actual governo PS "têm sido claramente de direita e que são subscritas e assinadas de braço dado com o PSD e o CDS-PP". "Não são políticas de esquerda e o que queremos é essa ruptura", sublinhou. Acrescentou que o PCP não tem "nenhum problema" em apoiar medidas "venham de onde vierem", desde que sejam de esquerda "impliquem uma mudança, e salvaguardem os interesses da população". "Para manter esta política de direita que penaliza os do costume, não contem com o PCP. Se for para uma ruptura e mudança efectiva de políticas, aí podem contar com o PCP", enfatizou. Para Jorge Machado, nas próximas eleições os portugueses vão ser confrontados com duas opções para o país.

"Ou deixamos tudo na mesma e continuamos no mesmo caminho que tem tido os resultados desgraçados que estão em cima da mesa ou então, de uma vez por todas, dizemos basta e que é preciso uma ruptura democrática de esquerda para mudar as opções política", realçou. Como medidas a serem tomadas para ultrapassar a actual crise, o deputado defendeu que o país nunca irá sair da "cepa torta" se não conseguir "aumentar a riqueza" que produz internamente. "Se não conseguirmos industrializar, aumentar e apostar nos sectores produtivos, nomeadamente o primário, não iremos conseguir pagar dívidas porque não vamos ter crescimento económico", lamentou. Criticou ainda PS, PSD e CDS por terem vindo a propor "uma obsessão pelo défice em que olham apenas para a dívida pública a curto prazo e não olham para os sectores produtivos. Estes partidos estão de costas voltadas para a produção".

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