PCP e direita apertam governo com mais aumentos das pensões

Há maioria no Parlamento para afinal as pensões subirem mais do que o governo pretendia. Comunistas vão avançar com projeto que vai contar com apoio do PSD e do CDS

Aprovado o Orçamento do Estado na generalidade vem aí uma prova de fogo às contas públicas para o próximo ano. O PCP garantiu ontem que vai insistir na proposta de aumento das pensões mínimas durante o debate na especialidade e a concordância de PSD e CDS será suficiente para fazer maioria e aprovar a medida à revelia do PS.

"A proposta que consta do Orçamento não corresponde integralmente à proposta que o PCP apresentou. Por isso vamos bater-nos para que o aumento de dez euros seja alargado designadamente às pensões mínimas", garantiu ontem Jerónimo de Sousa. Já o Bloco de Esquerda não entrará nestas contas. "O debate na especialidade deste Orçamento será pleno de ruído da direita, a propor o que nunca quis nem nunca fará", mas "não contam com o Bloco de Esquerda para a vossa novela", avisou ontem Catarina Martins. Mais: "O Bloco de Esquerda não alimentará tentativas da direita para criar "algum engulho na maioria parlamentar".

BE e PCP - os primeiros aplaudiram sentados a aprovação do Orçamento, na bancada comunista não houve aplausos - fizeram questão de levar para o debate o deve e haver entre as propostas que conseguiram inscrever no Orçamento do Estado e as que ficaram de fora. "Esta proposta do OE não responde a questões de fundo", avisou Jerónimo, que não se comprometeu com um voto favorável na apreciação final ao documento. Catarina Martins falou para o futuro: "Falta um novo impulso na política fiscal, falta o investimento necessário à qualificação dos serviços públicos."

Ao segundo dia de debate foi a vez de os líderes partidários tomarem a palavra. Pedro Passos Coelho acusou o executivo de, nestes dois anos, cortar mil milhões de euros na despesa pública, com as cativações permanentes. "Os senhores estão a degradar o Estado social e os serviços públicos", acusou Passos, sustentando que no governo anterior "nunca as cativações representaram mais do que instrumentos de controlo orçamental". Prova disso é que "todas as cativações foram libertadas no final do ano".

Avisando que o país precisa de atrair investimento, o líder social--democrata aconselhou o executivo de António Costa a aproveitar a política de juros baixos praticada pelo Banco Central Europeu (BCE) porque "quando for embora ficaremos afundados". Passos deixou ainda uma pergunta a António Costa, pedindo ao primeiro-ministro que esclareça "de uma vez se vai pedir a renegociação dos juros da dívida em Bruxelas" - ficou sem resposta. Antes, tinha sido Maria Luís Albuquerque, a ex-ministra das Finanças do governo PSD-CDS, a protagonizar o embate com a esquerda, com o ministro das Infraestruturas e Planeamento, Pedro Marques, a falar depois em "assombrações do passado, responsáveis por cortarem centenas de milhões de pensões".

Os fantasmas e o diabo

Já António Costa não passou sem falar do diabo (uma referência a uma frase antiga de Passos, "vem aí o diabo") e desta vez acrescentou--lhe outra entidade: "Não falou uma única vez das pessoas, nem dos empresários, nem das famílias, dos jovens ou dos idosos. A única pessoa que existe no discurso de Pedro Passos Coelho é ele próprio e o fantasma do seu governo." "Nós conseguimos o que vocês falharam", disse o primeiro-ministro diretamente à bancada social-democrata. Antes, Carlos César também já tinha visado PSD e CDS: "Ainda não se habituaram à sua condição de oposição."

Já o CDS entregou a intervenção final de ontem a Telmo Correia, que vaticinou que "as famílias, a classe média, os trabalhadores por conta de outrem vão pagar mais para pagar a agenda das esquerdas e da CGTP". E resumiu assim algumas das medidas inscritas no Orçamento do Estado para o próximo ano: "Um cidadão que não queira ser penalizado pelas vossas opções, o que tem como opção é viver numa casa sem sol, sem vistas, só andar a pé. Fumar ou beber nem pensar, e nem o prazer de uma bebida açucarada lhe resta. Não é calvinismo, mas é o retrato de um monge trotskista."

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