"Paulo Portas é um animal político. Isto não é uma despedida"

O ex-ministro da Economia, Pires de Lima, coloca o líder cessante do CDS-PP ao nível dos grandes nomes do partido

Que balanço faz da liderança de Paulo Portas?

Faço um balanço muito muito positivo. O CDS-PP era um partido que estava ausente do poder desde 1982-83, que tinha uma expressão relativamente modesta, pouca influência. E com as presidências de Paulo Portas, o CDS-PP passou a ser um partido relevante, que esteve duas vezes no governo. Desta última vez, numa legislatura completa, que aliás permitiu que Portugal saísse da assistência financeira e retomasse a trajetória de crescimento. E, portanto, o CDS-PP enquanto força política ganhou uma relevância completamente diferente durante a presidência de Paulo Portas. Depois do ponto de vista interno também acho que Paulo Portas deixa uma equipa, uma geração de políticos que têm tudo para assegurar uma boa continuidade. E um CDS-PP forte e competitivo. E, portanto, Paulo Portas foi um líder muito marcante.

Está ao nível de figuras como Freitas do Amaral, Lucas Pires ou Adelino Amaro da Costa?

Essas figuras destacam-se por terem sido fundadores do partido e dirigentes muito influentes nos primeiros anos da vida do partido, mas é indiscutível que se há uma figura que marca a história do CDS-PP - pela longevidade da sua liderança, mas também pela qualidade daquilo que o CDS-PP foi fazendo ao longo das duas últimas décadas -, essa figura é Paulo Portas.

É amigo de Paulo Portas há muitos anos. Esta é apenas uma pausa na carreira política. Ou não?

Paulo Portas é um animal político. Isto não é uma despedida da política. É, sim, uma despedida da liderança partidária e da vida partidária enquanto líder do CDS-PP. Mas Paulo Portas é uma pessoa jovem e que ainda tem muito a dar à vida pública do país.

A saída dele enquanto líder forte não deixa um vazio, como acontece sempre a seguir a uma liderança marcante?

Deixa uma sensação de desconforto. O CDS-PP é posto fora da sua zona de conforto porque Paulo Portas foi um líder muito marcante e foi uma espécie de seguro para o partido e os seus militantes ao longo das duas últimas décadas. E nesse sentido a decisão que ontem foi comunicada põe o CDS-PP fora da sua zona de conforto. O CDS-PP estava habituado a ter um líder nas duas últimas duas décadas que se chamava Paulo Portas e isso é um desafio porque o CDS-PP agora tem de se afirmar como um partido competitivo, capaz de não só assegurar a sua estabilidade mas o seu crescimento, com uma liderança diferente da que tivemos nos últimos 20 anos, mas isso é um desafio e uma oportunidade. Aliás, foi assim que Paulo Portas apresentou a sua saída, como uma oportunidade de reposicionamento, de rejuvenescimento, de refrescamento do CDS-PP.

Para a sucessão avança os mesmos nomes que a imprensa tem apontado, João Almeida, Mota Soares, Assunção Cristas, Nuno Melo?

Um dos bons legados que Paulo Portas deixou é uma equipa com grande qualidade, uma geração de políticos mais jovens com enorme qualidade. Agora depende, obviamente, da vontade de cada um, que tem oportunidade de apresentar as suas ideias e, se assim o entenderem, disputarem a liderança do CDS-PP.

Prefere alguém?

Não me vou imiscuir nesta contenda. Aguardo os candidatos que se vão apresentar.

Ontem, Paulo Portas elencou no perfil para o novo líder a experiência de governação. Foi uma tentativa de excluir Nuno Melo?

Há muitas pessoas do CDS-PP com capacidade e qualidade para disputarem a liderança. Algumas estiveram no governo, outras não. Eu não excluiria aquelas que não estiveram no governo mas que têm provas relevantes dadas em outros cargos políticos, como é o caso do próprio Nuno Melo.

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