Paulo Portas considera "lamentável" a não nomeação de Lobo Antunes

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, considerou hoje lamentável que Lobo Antunes não tenha sido nomeado para o Conselho Nacional de Ética, e defendeu "uma maior transparência e credibilidade" neste tipo de nomeações.

"Se a capacidade do professor Lobo Antunes é para deitar para o lixo, então qual é o nosso caixote do lixo? Trata-se de uma das pessoas com maior credibilidade, conhecimento e reputação nesta área e é uma pena que não esteja no conselho no próximo mandato", afirmou o líder do CDS.

Paulo Portas, que falava à margem da apresentação da candidatura do CDS à Câmara da Régua, afirmou que os "portugueses estão a começar a ficar muito cansados com este sistema em que o PS e o PSD negoceiam sozinhos, à porta fechada, os cargos de Estado".

"Aquilo que eu acho necessário é que, na próxima legislatura, este tipo de nomeações seja mais aberto do ponto de vista da transparência e da credibilidade do processo", sublinhou.

Portas classificou ainda a "partidocracia" como um "dos piores defeitos do sistema político Portugal", afirmando que gostava que "o CDS contribuísse para o ultrapassar".

"A democracia não é um clube de dois partidos. Aconteceu o que aconteceu com o Provedor de Justiça e foi um vexame para as intuições. Agora a exclusão do professor Lobo Antunes. O que eu pergunto aos portugueses é se querem continuar com um sistema em que dois partidos à porta fechada, como se a democracia fosse deles, põem e dispõem dos cargos sem pedir sugestões a mais ninguém, sem pedir abertura à sociedade?", questionou.

O líder dos populares referiu ainda que é "lícito" interpretar esta exclusão como "uma retaliação pelo facto de o professor Lobo Antunes ter assinado um parecer que era exigente quanto à Lei do Testamento Vital".

Paulo Portas considerou ainda que "qualquer pessoa com conhecimento" teria reparado na exclusão de Lobo Antunes, que Portas considerou um médico e humanista de mérito "reconhecido".

 Esquecer o nome de Lobo Antunes, segundo o líder popular, "é um sinal errado" que se está a dar aos intelectuais, aos cientistas, aos médicos.

"É um sinal de que este país nas suas instituições despreza a inteligência", sublinhou.

O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida é um órgão consultivo independente, que passou desde 29 de Maio a reportar à Assembleia da República e não ao conselho de ministros, como sucedia anteriormente.

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