Patriarca de Lisboa diz que beleza do Natal não deve esquecer o seu "imenso apelo à conversão"

O Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, defendeu hoje que "toda a beleza e aconchego" do Natal não devem servir para o alheamento do seu significado de "imenso apelo à conversão".

Na missa na Sé Patriarcal de Lisboa, Manuel Clemente, citando o papa Francisco, afirmou também a necessidade de os católicos não guardarem uma "distância prudente das chagas do Senhor", defendendo que é necessário que estejam, por outro lado, em contacto com a miséria e o sofrimento dos outros.

"Jesus quer que toquemos a miséria humana, quer que toquemos a carne sofredora dos outros", afirmou Manuel Clemente, na sua primeira missa enquanto Patriarca de Lisboa.

"É certo que a quadra natalícia está repleta de uma doçura especial, dos reencontros familiares e sociais que felizmente ocasiona. Multiplicamo-nos em expressões de muita arte e afeto para traduzir um sentimento grande que nesta altura nos toca, redobramos proximidades que oxalá se mantenham depois, mas toda a beleza e aconchego deste dia não deve alhear-nos do imenso apelo à conversão que sobretudo é", disse Manuel Clemente.

Citando uma meditação do papa Francisco, o Cardeal Patriarca de Lisboa frisou que "a resposta às necessidades dos outros é o lugar legítimo da celebração do Natal".

"Percebamos, por fim, que o verbo encarnado se espera aí mesmo, na carne de quem sofre", disse.

Segundo Manuel Clemente, "celebrar a encarnação de Deus na realidade humana - do nascimento num Presépio à morte numa cruz - só pode levar-nos ao seu encontro precisamente aí, na frágil e sofredora carne do Mundo".

"A adoração legitima-se no serviço, a fé atua pela caridade e desta mesma se alimenta, como num encontro interpessoal, generoso e verdadeiro", afirmou.

Na missa esteve presente o antecessor de Manuel Clemente, José Policarpo, que concelebrou.

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