Passos diz ser fácil "trabalhar em conjunto" com Cristas

Presidente do PSD diz que "não é irrelevante" a candidata do partido ficar atrás da adversária e líder do CDS.

Os indicadores eleitorais parecem pouco animadores para o PSD nas vésperas das autárquicas de domingo mas, em Cascais, Pedro Passos Coelho instou ontem os eleitores a irem votar porque "os resultados fazem-se nas eleições".

O PSD "não pode ficar a contar com os resultados feitos", disse Pedro Passos Coelho, que também deu uma entrevista à TSF a assumir que "não é nada irrelevante" a candidata social-democrata em Lisboa, Teresa Leal Coelho, ficar atrás da adversária e líder do CDS, Assunção Cristas - que ontem recebeu os parabéns do presidente do PSD pelo seu aniversário.

"Claro que não é nada irrelevante", reconheceu Passos Coelho, acrescentando: "Disputamos estas eleições para as poder ganhar e, portanto, no caso de Lisboa também. Isso pode vir a acontecer ou não, é uma coisa que só saberemos no dia 1." Aos jornalistas que o acompanhavam em Cascais, o presidente do PSD observou que "Assunção Cristas não é uma adversária" com quem os sociais-democratas tenham "alguma dificuldade de trabalhar em conjunto".

Na entrevista à TSF, quando questionado sobre as declarações do candidato em Loures relativas à pena de morte, o presidente do PSD afirmou que André Ventura "não defendeu a pena de morte" e que o PSD "não defende a pena de morte. Ponto final".

Esta afirmação contrasta com o que a generalidade dos observadores e atores políticos - mesmo do PSD, como Luís Marques Mendes - interpretou das declarações de André Ventura: uma defesa clara da pena de morte. "Não me choca que um terrorista que mate 40 mulheres e crianças num centro comercial seja executado pelo Estado. Entre o não me chocar e o ser a favor vai um passo gigante", referiu há dias o candidato no jornal i, sobre o que é uma matéria de princípio.

Ao mesmo jornal, André Ventura lembrou que "várias democracias avançadas a aplicam ou preveem na sua legislação" e, acrescentou, "até o catecismo da Igreja Católica admite, em alguns casos, a pena de morte". Já num artigo publicado no Correio da Manhã, o candidato do PSD a Loures colocou uma interrogação: "Se os nossos militares têm legitimidade para matar o maior número de terroristas possível nas suas bases no Médio Oriente, porque não o podem fazer os tribunais [...]?"

Ainda na entrevista à TSF, o antigo primeiro-ministro insistiu na necessidade de se "fazer alguma coisa" em matéria de contas da Segurança Social porque "continua deficitária". Esse "é um assunto demasiado sério para ficar nas notas de rodapé" e, por isso, urge "fazer uma reforma da Segurança Social que dê sustentabilidade" ao sistema, argumentou Passos Coelho. "Não se trata de ter apenas uma poupança de 600 milhões [pois] isso foi um valor que, na altura da troika, era necessário, do lado das contas públicas, para fechar o objetivo orçamental", prosseguiu o líder social-democrata.

Questionado sobre que valores estima atualmente para que essa reforma tenha sucesso, Pedro Passos Coelho respondeu: "Terá de se fazer essa avaliação. O governo não dá esses dados com transparência." Com Lusa

Mais Notícias

Outras Notícias GMG