Passos desafia Costa a mudar de rumo no Orçamento de 2017

Líder do PSD vai hoje à festa algarvia do seu partido dizer que está na altura de o governo do PS aceitar que tem de mudar de política

A notícia, na sexta-feira, de que a economia só cresceu 0,2% no segundo trimestre deste ano (face ao trimestre anterior) veio mesmo a calhar para o discurso que hoje Pedro Passos Coelho fará na festa do Pontal do seu partido, em Quarteira, Algarve.

O líder do PSD aproveitará a oportunidade para dizer que os últimos dados económicos só confirmam todos os alertas que ele próprio e o partido têm vindo a fazer sobre o rumo errado da governação. Para Passos Coelho, a aposta do PS - apoiada por BE, PCP e PEV - numa via de dinamização da procura interna está a falhar e agora só falta que os partidos da plataforma das esquerdas o assumam.

Passos Coelho prepara-se para, hoje, fazer uma espécie de balanço dos nove meses de governação do PS e desafiar a "geringonça" a encarar a apresentação do Orçamento do Estado para 2017 (a proposta terá de entrar no Parlamento em 15 de outubro) como um momento--chave para António Costa mudar decididamente de rumo.

Tenciona ser - ou pelo menos parecer - construtivo, mostrando como é possível fazer diferente. Em tempos já desafiou o PS para um esforço de consensualização de uma reforma da Segurança Social que lhe dê sustentabilidade - e é possível que volte a fazê-lo.

Na sua mira estará também a atuação do governo na banca, ou seja, quanto à Caixa Geral de Depósitos (cuja entrada em funções da nova administração enfrentou inúmeros problemas no Banco Central Europeu, faltando conhecer-se o plano de recapitalização e o de reestruturação) e quanto ao Novo Banco (cuja liquidação em 2017 já foi admitida pelo governo, algo que Passos considerou "quase criminoso"). É possível que também refira o caso Banif como um exemplo de manipulação da opinião pública, dizendo que havia outras soluções.

Os casos das últimas semanas - viagens de secretários de Estado ao Euro 2016 pagas pela Galp e a vaga de incêndios - também deverão passar pela intervenção do líder do PSD, mas em registos diferentes. Passos não quer, quanto aos incêndios, que o assunto seja tema de combate político. E o Galpgate, podendo ser um motivo de crítica - o PSD fez perguntas ao governo e ainda não tem respostas -, não deverá ser um tema central.

A economia, isso sim, dominará o discurso. Nesta semana, quando saíram os números do crescimento económico, Maria Luís Albuquerque deu o mote. "Os números que saíram são francamente negativos, temos um crescimento homólogo de apenas 0,8, o que significa uma taxa de crescimento de sensivelmente metade daquilo que foi registado no ano de 2015", disse a ex-ministra das Finanças.

Acrescentando: "O que isto revela é aquilo que PSD tem vindo a chamar a atenção", que a estratégia do governo está "economicamente errada", sendo além do mais "imprudente". "O investimento está estagnado, a economia está estagnada", frisou, salientando que o investimento depende essencialmente da confiança e esse foi um dos primeiros valores que este governo "pôs em causa logo no início do seu mandato", quando começou a revogar medidas do anterior executivo.

No dia 4 de setembro decorrerá a segunda rentrée do PSD, com o discurso de Passos Coelho a encerrar em Castelo de Vide a Universidade de Verão do partido.

A iniciativa começa no dia 29 de agosto e está prevista a participação de um histórico do PS, Jaime Gama, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-presidente da Assembleia da República. Será num jantar-conferência marcado para dia 30. Pela Universidade de Verão do PSD passarão também personalidades como o comissário europeu Carlos Moedas, Maria Luís Albuquerque, e a maestrina Joana Carneiro. O líder da oposição na Grécia, presidente da Nova Democracia, Kyriakos Mitsotakis, está convidado para o último jantar-conferência, a 3 de setembro, véspera do dia do encerramento.

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