Passos decreta: "Esta solução de governo está esgotada"

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"Já repuseram feriados, aceleraram a retoma de rendimentos na Função Pública, aumentaram férias, baixaram o IVA da restauração, [repuseram as] 35 horas para a Função Pública." Estes foram os argumentos do líder do PSD, na Festa do Pontal, em Quarteira, no Algarve, para dizer "esta solução de governo está esgotada" e já "não tem nada para oferecer, a não ser a estagnação, o conflito com os credores e com os investidores".

Perante cerca de 2100 militantes do partido (números da organização), na noite deste domingo, Pedro Passos Coelho afirmou que "o Governo praticamente esgotou o seu compromisso dentro da troika da maioria", pelo que, mesmo podendo esta "durar até ao final da legislatura" e "ensaiando às vezes umas discordâncias para manterem espaço próprio", está "esgotada" - mas entretanto "lá aprovarão o orçamento para 2017".

"Que outras notícias nos aguardarão para o futuro? Alguma coisa populista que não custe dinheiro? O que é que este Governo terá de novo na área económica, social e política para mobilizar o pais?", perguntou - para logo a seguir ensaiar uma resposta. "Esta troika só sabe fazer o que é fácil. Depois do que é fácil acabam-se as ideias. O que é difícil, o que exige alguma coragem, isso não mora neste governo."

Esta troika só sabe fazer o que é fácil. Depois do que é fácil acabam-se as ideias

Neste contexto, o que se pede ao PSD é continue igual ao que tem sido: "Nós temos de permanecer fieis à nossa alma social-democrata, reformista e inconformista", mesmo que isso implique "perder votos". "Não seremos cúmplices do que está a acontecer em Portugal - era importante nesta fase arrepiarmos caminho, termos outra solução" em vez da atual, baseada na "ligeireza", no "empurra com a barriga", no "compadrio".

"Precisamos do PSD, do seu reformismo, do seu inconformismo, da sua liderança", insistiu, afirmando-se firme no posto de presidente do partido: "Nunca abdicarei de lutar por este futuro para o nosso país. Tenho a certeza que saberemos dizer nos próximos meses e nos próximos anos que [que] faremos o que é difícil e faremos o que é preciso."

Tal como o DN tinha antecipado, Passos cavalgou a onda dos números económicos divulgados na sexta-feira (crescimento de 0,2% do PIB no segundo trimestre face ao primeiro trimestre e de 0,8 face ao trimestre homólogo de 2015). "Há um ano registava-se um crescimento assinalável da economia, em agosto de 2015 tínhamos boas razões para estar confiantes, continuávamos a ter boas notícias do lado das exportações, no emprego e no desemprego, estávamos a passar por um período em que as pessoas percebiam que os sacrifícios que tinham feito estavam a resultar. Há um ano atrás toda a atividade económica mexia, o comércio mexia, as exportações mexiam", recordou.

Só que - prosseguiu - "no espaço de um ano as coisas alteraram-se e não se alteraram para melhor". Os últimos dados "preocupam" porque "o País está a crescer metade agora do que crescia então". Ou seja, falhou tudo "aquilo que o governo prometeu, crescimento mais intenso, mais investimento público". E "não há memória de o investimento público ser tão medíocre", sendo que "o investimento privado está na expectativa de saber qual o resto da historia e vai-se manter expectante e isso é uma má noticia para os portugueses". Ou seja: "Estamos a estagnar (...) a ficar mais longe dos parceiros europeus e mais distantes ainda da nossa vizinha Espanha", que "está a crescer mais de 3%", apesar das dificuldades internas de estabilidade. "Isto que se está a passar no nosso País não se está a passar noutros" e portanto "a explicação tem de ser encontrada cá dentro e não lá fora", na "aliança do PS com as esquerdas radicais".

Para o líder do PSD a explicação é no entanto muito "simples" e deve-se à reversão de "reformas importantes" levada a cabo por este Governo e pela sua "política de facilitismo e demagogia" assente numa aliança que "assusta os investidores".

Passos Coelho aproveitou a ocasião para voltar à carga com a necessidade "inadiável" de se operar uma "reforma profunda" na Segurança Social que lhe dê sustentabilidade futura - porque "o crescimento não chega". O PSD - insistiu - fará uma convenção para falar com especialistas e todo o todo setor da economia social porque "quem hoje está no governo não se preocupa em manter as finanças estáveis para futuro".

Com o argumento de que o partido nunca teve "medo de afrontar os interesses instalados", Passos Coelho voltou à velha prática de sublinhar os direitos futuros dos jovens por oposição aos que hoje usufruem de direitos adquiridos. "Os jovens sabem que a conversa dos direitos adquiridos tem um reverso. É que esses direitos são pagos nos anos seguintes por quem não beneficiou desses direitos." E o país, além do mais, "devia estar a amealhar mais e a pagar mais dívida, como estava programado".

Passos Coelho foi chamado ao palco pelas 21.50 e falou pouco mais de meia hora. Antes já tinham discursado um líder concelhio do partido, um líder da JSD/Algarve e o líder distrital do PSD, David Santos. Este pôs em cima da mesa um tema que a direção do partido não aprecia, a regionalização: "Essa debate tem de ser reaberto" até porque o Governo do PS está a fazer uma "regionalização encapotada" através da "dita democratização das comissões de coordenação regional".

Os incêndios também passaram pelo discurso do PSD, com homenagens aos bombeiros, mas sem ataques ao Governo. O tempo para já é de tréguas, em nome da necessidade prioritária de "acudir" a quem precisa. "Haveremos um dia de o fazer, mas não é agora tempo de fazer o balanço daquilo que deveria ter sido a resposta pública. Mas não faremos na oposição o que nos fizeram no governo. Há um tempo para tudo".

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