Passos apresenta hoje candidatura a líder e a primeiro-ministro

Presidente do partido é candidato único e defende estratégia que combata desigualdades sociais

Após uma campanha de quase dez mil quilómetros, Passos Coelho entrega hoje à tarde a moção de estratégia global e a candidatura a líder do PSD, confirmando-se que será candidato único. A moção do atual presidente do partido, apurou o DN, terá como eixos fundamentais o combate às desigualdades sociais, a defesa da continuidade de um programa de reformas para o país e afirmar a captação de investimento como fator fundamental para a criação de emprego.

Na parte mais política, explicam fontes da direção nacional, a estratégia também se irá manter: fazer oposição proativa (mas não colaborante com o PS de Costa), preparar a máquina para ganhar eleições e regressar ao poder quando surgir a oportunidade. Há também a ideia (que não será ainda muito explorada na moção) de recuperar o PSD como principal potência autárquica em 2017.

A moção de Passos irá reconciliar partido com matriz social-democrata e não prevê coligação com CDS

A moção de Passos - com o slogan "Social democracia, sempre" - não deverá assumir qualquer coligação com o CDS. O PSD fará o seu caminho sozinho, embora os centristas sejam sempre o parceiro "privilegiado". Ideologicamente até haverá afastamento face ao CDS, pois a tendência é para uma aproximação ao centro. Como explica fonte social-democrata ao DN, "vamos partir à conquista do centro que o PS deixou órfão, ao radicalizar-se e tornar-se um Bloco de Esquerda com mais dimensão".

Mas como não basta ser mais ao centro do que o PS, Passos vai insistir no combate à pobreza e às desigualdades sociais. A consolidação das contas públicas, a sustentabilidade da Segurança Social, a aposta na economia social e uma política externa de vocação europeia são as bandeiras de que não abdica ao propor-se liderar o PSD por mais dois anos.

Quanto ao PS, as relações estão muito crispadas e o documento - que terá sido escrito com a colaboração do primeiro vice-presidente, Jorge Moreira da Silva - irá refletir isso. Passos deixará claro que com este PS não há entendimentos.

Direção da bancada de fora

Além da moção de estratégia global, um dos grandes desafios de Passos é tentar fazer uma renovação no partido. Com todo o momento político a passar pelo Parlamento, Luís Montenegro tem-se afirmado como segunda figura do PSD, mas isso não lhe garante um lugar na renovação que Passos está a preparar na direção nacional.

Fontes da direção explicaram ao DN que é cada vez mais escassa a hipótese de o atual líder parlamentar e dois dos seus vice-presidentes falados para a futura direção de Passos (Hugo Soares e António Leitão Amaro) serem chamados para a direção de Passos Coelho. "O líder do partido é coerente com a ideia da não-duplicação de cargos. Se esses três já têm um cargo diretivo na direção da bancada, não terão funções na direção do partido", explicou fonte próxima da direção nacional.

Por outro lado, a mesma fonte acredita que o líder veria com bons olhos "a integração de Pedro Duarte na direção", lembrando que "Passos Coelho sempre gostou dele. Em 2007, quando Pedro Duarte apresentou uma lista ao conselho nacional no congresso de Torres Vedras, ele foi um dos subscritores".

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