"Ouviam-se berros como nas montanhas-russas"

A propósito da tragédia da Germanwings, contam-se histórias de sobreviventes de um dos nossos maiores medos.

"Não há tempo para pensar." João Cunha, 58 anos, agente de viagens, tinha 42 a 22 de agosto de 1999, quando o avião da China Airlines em que seguia com mais 77 portugueses apanhou um tufão, bateu com uma das asas na pista ao aterrar no aeroporto de Hong Kong e capotou. "Ia a conversar com o meu amigo José Soares e adormeci. Acordei com uma trepidação muito forte, o avião começou a cambalear e a sacudir e de repente guinou, virou totalmente. Houve uma descida muito repentina, bateu de lado e começou a arrastar pela pista fora." A barulheira do avião a desfazer-se era brutal, conta, mais o som das pessoas: "Ouviam-se aqueles berros como nas montanhas-russas."

O MD-11 acabou por sair da pista e imobilizou-se na relva, que devido à tempestade "tinha talvez um metro ou mais de água". João Cunha prossegue: "A água começou a entrar pelas janelas partidas e pelos buracos e julgámos que tínhamos caído no mar." Pendurado de cabeça para baixo, preso pelo cinto e totalmente às escuras - todas as luzes se apagaram e os focos do aeroporto não estavam ligados - João ficou completamente desorientado. "Perdi a noção do estado, do sítio, de tudo, perdi o José Soares que ia ao meu lado, só o voltei a ver dois ou três dias depois." Aflito, começou a tentar tirar o cinto, o que não foi fácil porque estava em tensão e não conseguia vê-lo. "Quando caí - o teto do avião tinha passado a ser o chão - encontrei uma chinesa que me apontou um buraco na fuselagem. Meti a cabeça e rasguei-me todo a passar, porque o buraco era estreito, mas só pensava que aquilo se calhar ia explodir. Saltei e caí numa poça de água."

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