"Os jornalistas só têm poder se nunca se vergarem aos poderes", diz Marcelo

O Presidente da República esteve na sessão de abertura do 4.º Congresso dos Jornalistas, que começou hoje no cinema São Jorge, em Lisboa.

"Não vos escondo a preocupação que acompanha o júbilo com que presido a esta abertura", declarou o Presidente da República, inaugurando os trabalhos do 4.º Congressos dos Jornalistas, que acontece até domingo, no cinema São Jorge, em Lisboa, após quase 19 anos de hiato. Os congressos aconteceram em 1983, 1986 e 1998.

As fracas condições de trabalho, que já eram tema em 1998 quando os repórteres se reuniram, voltam a estar sobre a mesa hoje. "A precariedade enfraquece a vossa situação"; afirmou, lembrando, no seu discurso, Mário Soares, e o seu papel na defesa da "liberdade e da democracia".

Num discurso de cerca de 15 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa acentuou que "este congresso demorou tempo a mais a chegar", disse referindo os "cerca de 7750 jornalistas" que existem em Portugal.

No São Jorge, Marcelo Rebelo de Sousa reencontrou Maria Flor Pedroso, jornalista com quem partilhou o cenário televisivo quando era comentador na RTP, aqui na qualidade de presidente do 4º congresso dos jornalistas. Também ela, introduzindo as premissas deste encontro, notou a precariedade e baixos salários dos jornalistas. "Um em cada 5 [jornalistas] tem vínculo precário, um em cada 4 trabalha a recibos verdes."

Sofia Branco, presidente do sindicato há cerca de dois anos, cumpre com a realização do congresso uma das suas promessas eleitorais, lembrou que o jornalismo "tem a taxa de desemprego mais alta de sempre". "Um terço dos jornalistas recebe menos de 700 euros líquidos", disse, apoiada (como Maria Flor Pedroso), nos estudos académicos que foram realizados na Universidade de Coimbra e no ISCTE e que serão apresentados amanhã e sábado, respetivamente, no São Jorge.

O jornalista lusodescendente Michael Rezendes, membro da equipa de investigação Spotlight do jornal norte-americano Boston Globe, é o orador convidado de hoje, dia em que será exibido o filme baseado no trabalho destes jornalistas que desvendou um caso de abusos sexuais na diocese de Boston (e o encobrimento da Igreja Católica), em 2002.

O congresso continua amanhã, sábado e domingo com painéis que pretendem representar as várias faces do jornalismo, e os seus seus desafios. Esta sexta-feira analisa-se o estado do jornalismo e reúnem-se os diretores dos jornais portugueses, no sábado fala-se de novos projetos, no domingo a palavra é dada aos administradores e gestores.

"Queremos ir além do diagnóstico, ir à procura de soluções", refere Maria Flor Pedroso, esperando, no fim deste encontro, uma folha A4 de resoluções.

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