Oficiais consideram decisão de julgar 19 militares "um bocado imprevista"

Associação de Oficiais lamenta "não estarem também representantes do poder político" no banco dos réus pela morte de dois recrutas do curso 127º curso de Comandos.

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) considerou "um bocado imprevista" a decisão judicial, tomada esta segunda-feira, de levar a julgamento os 19 militares Comandos acusados da morte de dois recrutas em setembro de 2016.

"Não pomos em causa a Justiça, não nos pronunciamos sobre o teor de decisão judicial", disse o presidente da AOFA, tenente-coronel António Mota, ao DN.

António Mota adiantou ser "muito triste ver exclusivamente" militares comandos no banco dos réus - "independentemente de terem ou não culpa" - e "não estarem ali também representantes do poder político".

"Também há muitos indícios de que a situação terá tido as consequências que teve devido ao desinvestimento forte que tem havido nas Forças Armadas" ao longo dos anos, argumentou António Mota, referindo a inexistência de tendas não refrigeradas e ambulâncias não medicalizadas.

Quanto ao fundo que a AOFA criou para apoiar os 19 oficiais, sargentos e praças que agora vão a julgamento, pela alegada prática de crimes exclusivamente militares que levaram à morte de Dylan da Silva e Hugo Abreu no primeiro dia do 127º curso de Comandos, António Mota explicou que já conseguiram pagar 75% das despesas com advogados.

Com 13 mil euros em faturas, cerca de 300 militares e 100 civis permitiram reunir os 10 mil euros já pagos, acrescentou o presidente da AOFA.

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