O juiz Carlos Alexandre "gosta daquele tribunal, daqueles processos"

Biografia do magistrado judicial será lançada no próximo dia 7 de junho. Uma das autoras disse ao DN que o juiz gosta da adrenalina do Tribunal Central de Instrução Criminal

É através de citações que o juiz Carlos Alexandre, que não gosta de ser chamado de "super", manda alguns recados e indiretas seja ao arguido, ao advogado ou até ao Ministério Público. Na sua última intervenção pública, nas Conferências do Estoril, recorreu, por exemplo, a um livro do antigo presidente do PS Almeida Santos para falar de corrupção: " A corrupção é tão antiga quanto a nossa memória histórica. Célebres figuras gregas e romanas foram corruptas. Não escapou sequer, ao que parece, a essa lepra das consciências, o próprio e venerável Sócrates".

Será o super juiz Carlos Alexandre, afinal, uma personagem criada pelo "saloio de Mação" Carlos Manuel Lopes Alexandre? "Ele quando era novo já era assim. O António Reis, antigo grão mestre da maçonaria, costumava dar-lhe boleia para Mação e contou-nos que já nesse tempo de estudante o juiz tinha essa forma de estar meio sisuda, meio misteriosa", contou ao DN a jornalista Inês David Bastos que, conjuntamente com outra jornalista, Raquel Lito, escreveu o livro "Carlos Alexandre, o juiz", que será lançado no próximo dia 7. A forma meio encriptada das suas intervenções já remontam a muito longe. Sendo que, hoje, Carlos Alexandre, fruto da informação que acumulou ao longo dos últimos anos no Tribunal Central de Instrução Criminal, têm outra acutilância e ajudam a manter o "mito" à sua volta.

"Senti que o juiz era uma balão prestes a rebentar, mas ele sabe que não pode. Por isso, vai aliviando o peso que carrega, fruto da informação e de tudo o que sabe, falando por códigos e indiretas", referiu a autora. Inês David Bastos disse ao DN que, no fundo, o sonho do juiz é "ser juiz". "Ele gosta de estar ali, de ter uma posição ativa nos interrogatórios, nas buscas, nas medidas de coacção. Se um dia sair do "ticão" vai mais depressa para a bolsa de juízes do que para um Tribunal da Relação".

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