Antigo reitor faz-se acompanhar por uma comitiva de 20 pessoas

A abstenção e Marcelo são os adversários principais do antigo reitor. Que espera ter a seu lado nos próximos 15 dias ministros de Costa e os ex-presidentes que o apoiam

Os próximos 15 dias de Sampaio da Nóvoa serão a quarta volta ao país do candidato, desde que António, 61 anos, saltou da academia com a ambição de chegar a Belém, a 29 de abril de 2015. Para conseguir uma segunda ida às urnas, a 14 de fevereiro, como o próprio confessou nas páginas do DN de sexta-feira. "O objetivo neste momento é forçar uma segunda volta." E tendo a abstenção como um dos principais alvos a abater.

Segundo Sampaio da Nóvoa, "uma parte muito grande" da sua campanha será "contra a abstenção". Outro dos adversários - também ficou claro na última semana - é Marcelo Rebelo de Sousa. Nóvoa evita falar de Maria de Belém, preferindo sublinhar "a pluralidade" de mais uma candidatura na área socialista.

Para estes combates, o antigo reitor da Universidade de Lisboa faz-se acompanhar de uma comitiva que terá umas 20 pessoas e que vai percorrer os 16 distritos do continente (só Bragança e Vila Real ficam agora de fora) e a região dos Açores (depois de ter batido a todas as portas nas voltas anteriores).

É ao almoço em Seia, no distrito da Guarda, depois do debate de ontem à noite com Maria de Belém, que Nóvoa arranca para a estrada. O interior do país é a primeira etapa da campanha, com este domingo a ser fechado em Viseu. Ao lado do candidato presidencial estará o seu mandatário, o socialista e antigo ministro da Saúde Correia de Campos, natural de Torredeita, uma freguesia viseense.

Apesar de o PS não ter declarado o seu apoio formal a nenhum candidato nesta primeira volta, grande parte da direção de António Costa está com Sampaio da Nóvoa - ele que foi orador no congresso da consagração da liderança de Costa, ainda em 2014, e que esteve na convenção socialista já com a sua candidatura lançada, em junho de 2015.

O professor contará também com a participação de ministros do executivo socialista ao longo destes 15 dias. Só não estão ainda confirmados dias e locais - mas é provável que o façam nas regiões de onde são naturais. Augusto Santos Silva, Eduardo Cabrita, Adalberto Campos Fernandes, José Vieira da Silva ou Capoulas Santos são governantes que, algures no caminho, devem sair à estrada.

Amanhã, o candidato inicia o dia no distrito de Aveiro - de manhã na feira de Espinho, depois passando pela tradicional festa de São Gonçalinho, na cidade de Aveiro, de onde se lançam cavacas do cimo da capela desse santo para pagamento de promessas e para adoçar a boca de quem as apanhar. À tarde, Nóvoa tem uma passagem pelo Parque Tecno-lógico de Cantanhede, e o fim do dia está marcado para Coimbra, com um jantar de apoiantes, num esquema que se deve repetir ao longo da campanha. Os dias acabarão com jantares-comícios, num conjunto de iniciativas que está também dependente dos humores do tempo de inverno. Na terça-feira, Sampaio da Nóvoa volta a dirigir-se para o interior, passando por Castelo Branco, Portalegre e Évora. No primeiro distrito, o general Ramalho Eanes, que é natural de Alcains, e tem participado ativamente na campanha, marcará presença oficial na caravana. Mas Nóvoa espera ter o primeiro presidente eleito democraticamente depois do 25 de Abril a seu lado noutros momentos da campanha. Dos outros dois chefes do Estado que apoiam o antigo reitor, Mário Soares e Jorge Sampaio, espera-se que possam aparecer, mas as suas agendas (e a saúde no caso de Soares) não permitem ainda antecipar essa participação.

A caravana dos três Pedros

A candidatura de António Sampaio da Nóvoa faz acompanhar o seu discurso sobre o "novo tempo" com o elogio da "renovação política". No debate com Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato apoiado por PSD e CDS atirou para a mesa os alegados custos elevados da campanha de Nóvoa. Este responde multiplicando os exemplos de gente que pela primeira vez se envolveu numa campanha e de outros que regressaram para o acompanhar.

É um equilíbrio de vontades e experiências. Para a caravana, Sampaio da Nóvoa chamou três nomes que trazem o saber adquirido de outras campanhas. O deputado socialista, e presidente da Junta de Freguesia do Lumiar em Lisboa, Pedro Delgado Alves, é o diretor da campanha desde outubro; também entrou na estrutura do movimento Sampaio da Nóvoa à Presidência (SNAP), já depois das eleições legislativas, o anterior assessor parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Sales; e Pedro Reis, que é o responsável pelas operações nestes 15 dias de estrada, esteve nas duas primeiras campanhas (vitoriosas) de Mário Soares e de Jorge Sampaio - é a sua quinta campanha presidencial. Para o financiamento da campanha, Sampaio da Nóvoa tem tido donativos de muitos cidadãos (disse-o a Marcelo, depois de este ter invocado uma pobreza quase franciscana para os seus gastos, com Rebelo de Sousa a dizer que tem financiado tudo do seu bolso). Outra fonte para cobrir gastos foi um leilão de obras de arte realizado na semana passada em Lisboa, que se repetirá no Porto. É uma arte pôr uma campanha assim de pé, concluem os membros da sua candidatura.

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