O "acordar" de Lisboa, segundo a narrativa de Fernando Medina

Ainda sem assumir a sua candidatura à Câmara de Lisboa, Medina encheu 145 páginas de um livro e falou mais de duas horas para "prestar contas" do que fez até agora

Havia uma Lisboa sem brilho, em crise, num país também em crise, feia, com um desempregado em cada cinco cidadãos, casas a cair, repleta de carros a entrar e a sair da cidade, onde os idosos não tinham passeios para caminhar e com uma câmara endividada e a demorar muito a pagar aos fornecedores. Este é o retrato do município antes de 2013, traçado por Fernando Medina, ano em que António Costa se tornou dono e senhor da câmara com maioria absoluta.

A descrição, que sintetizámos, foi feita ontem pelo atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa para demonstrar com números, muitos números, como tudo "mudou para muito melhor" nos últimos quatro anos do mandato socialista.

A nova sala do recém-inaugurado velho Teatro Capitólio, no Parque Mayer, estava a rebentar pelas costuras. Vereadores, presidentes de junta, diretores de serviços, amigos, camaradas de partido (Sérgio Sousa Pinto), ex-governantes (Maria de Belém Roseira, Dalila Araújo), curiosos foram ouvir o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que fez um exaustivo balanço do seu mandato.

"Lisboa acordou" ecoou a voz off do filme que antecedeu a intervenção de Fernando Medina. É "a cidade onde todos querem estar", ouvia-se ainda e salientava-se as "velhas feridas que se vão sarando aos poucos como a reabilitação urbana que ocupa já quase 90% do orçamento de todos os licenciamentos" ou o "maior orçamento de sempre para a reabilitação dos bairros sociais".

Logo a seguir, com um cenário cinematográfico a enquadrá-lo, onde iam passando imagens de Lisboa antes de Costa e Medina (a.C.M.) e depois de Costa e Medina (d.C.M.), o ainda não candidato oficial do PS à maior cidade do país garantia "com grande humildade, transparência e clareza, prestar contas do que fizemos". Medina lançava o desafio aos presentes para que recuassem no tempo, até 2013, e se lembrassem de como era o concelho. Destacou a "taxa de desemprego de 18,5%", a "emigração", o "fecho de empresas todos os dias".

A seguir explicou exaustivamente como deram a volta à crise, e Lisboa "está mesmo melhor": "O desígnio estratégico era mobilizar os cidadãos e erradicar a crise, e a partir de Lisboa mostra que era possível uma política diferente para vencer a crise. Uma política anticíclica para criar uma cidade moderna, pujante e competitiva." Assinalou "quatro pilares essenciais: dar força à economia da cidade; melhorar a qualidade de vida; afirmar direitos e combater exclusões; e afirmar Lisboa como uma cidade global.

Os números iam sustentando as palavras, de improviso, a acompanhar os slides que passavam no ecrã. Alguns exemplos das "contas certas" (curiosamente um dos slogans do CDS nas últimas autárquicas) das eras a.C.M e d.C.M: a dívida da câmara passou de 1130 milhões para 560; o pagamento a fornecedores de uma média de 59 dias, para 48 horas; 80 mil empregos criados pelo turismo e um impacto económico deste setor em Lisboa de 6,3 mil milhões de euros - "notem que este valor equivale a quatro vezes todo o setor nacional do calçado ou a duas vezes e meia a fábrica da Autoeuropa, dizia com entusiasmo o presidente". Sobre a qualidade de vida, destaque para a "nova política" de tornar a cidade "acessível e segura para os lisboetas, principalmente os idosos". Porque os "novos pavimentos e passeios confortáveis é uma política de direitos sociais, de direito de andar com segurança", afirmou. E algumas promessas: 6300 casas para a classe média (rendas entre 200 a 400 euros), recuperação do Palácio da Ajuda e nova Feira Popular.

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