Novo ano traz novo exame, currículo renovado e a promessa de pequeno-almoço

As escolas preparam-se para receber cerca de um milhão e meio de alunos, que terão este ano letivo um novo currículo, exames logo no 4.º ano e a promessa de pequeno-almoço para quem precisar.

A efetivação da escolaridade obrigatória de 12 anos, aprovada pela governação socialista, o aumento do número de alunos por turma e um novo modelo de gestão escolar são outras realidades que as escolas vão enfrentar este ano.

As aulas começam entre 10 e 14 de setembro.

Os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Educação reportam-se ao ano letivo 2010-11, quando havia em Portugal 1.647.611 alunos no ensino básico e secundário, incluindo os adultos em atividades de educação e formação.

Estas estatísticas registam no 1.º Ciclo 464.620 alunos e no 2.º Ciclo 278.263. Naquela data, encontravam-se matriculados no 3.º Ciclo 463.833 jovens e no ensino secundário 440.895. No pré-escolar havia 276.125 crianças.

Em declarações à agência Lusa em agosto, o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, revelou que o sistema perdeu nos últimos três anos cerca de 200.000 alunos, o equivalente a 7.000 turmas em todos os níveis de ensino.

O ministro da Educação, Nuno Crato, começou por anunciar para este ano uma reforma ao nível das disciplinas que compõem o currículo, defendendo a concentração dos alunos nas matérias essenciais, como História, Português, Matemática, Geografia e Ciências. O Inglês passa a ser obrigatório por cinco anos.

Crato deu às escolas autonomia para decidir o tempo a dedicar a cada disciplina, dentro de limites máximos e mínimos fixados pela tutela e determinou que o tempo de cada aula deixe de ser obrigatoriamente de 45 minutos ou seus múltiplos.

Se a opção da escola for por tempos de 45 minutos, no 12.º ano, por exemplo, haverá mais uma aula de Português.

A matriz curricular publicada em Diário da República em 05 de julho apresenta como referência exemplificativa a organização em tempos de 45 minutos, mas as escolas podem alterar.

Formação Cívica sai do currículo como disciplina autónoma, podendo ser ministrada de forma transversal em diversas aulas ou em tempo próprio a decidir pela escola, em vez de outra oferta.

Abriu também a possibilidade de as escolas organizarem grupos de alunos de acordo com os seus desempenhos, por forma a melhorar resultados.

Acaba o Estudo Acompanhado, mas no 2.º Ciclo deve ser garantido o apoio diário ao estudo a alunos com dificuldades.

Os alunos deixam de ter Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no 9.º ano, fazendo esta iniciação no 7.º ano.

No 3.º Ciclo, deixa de existir Educação Tecnológica e no 2.º Ciclo, é divida a Educação Visual e Tecnológica (EVT) em duas áreas disciplinares, cada uma com um professor.

Os alunos do 4.º ano vão estrear este ano a prova final do 1.º Ciclo a Português e Matemática, que deverá contar 25 por cento para a nota no primeiro ano de aplicação e depois 30 por cento.

A medida vem acompanhada do prolongamento escolar, até julho, para permitir aos alunos com dificuldades recuperar e ter uma segunda oportunidade de transitar para o 2.º Ciclo.

Depois da experiência piloto, já no final do ano letivo que terminou em junho, ficou a promessa de que este ano seria alargado o programa de reforço alimentar aos alunos que precisem de tomar o pequeno-almoço na escola, uma prática que alguns estabelecimentos adotaram nos últimos anos por identificarem um número cada vez maior de alunos com carências alimentares.

Mais Notícias