Nova sede da EMA é conhecida hoje com o Porto fora dos favoritos

Conselho da União Europeia escolhe entre 18 cidades. Candidatura do Porto nunca surgiu no lote dos favoritos, mas o sistema de votação deixa margem para surpresas

O Conselho da União Europeia decide hoje qual a cidade que, a partir de 2019, vai receber a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa), que deixará Londres na sequência do brexit. Milão, Amesterdão, Copenhaga ou Bratislava são apontadas como as principais favoritas, num lote que deixa de fora a candidatura portuguesa do Porto. Um processo que tem agitado os corredores europeus nas últimas semanas, com as candidaturas a tentar granjear apoios, nomeadamente entre os vários blocos regionais.

Mas o processo de votação que hoje será seguido na reunião do Conselho de Assuntos Gerais dificulta qualquer antecipação. A votação será feita numa primeira ronda por ordem de preferência e, posteriormente, numa disputa entre as candidaturas mais votadas na ronda anterior (ver caixa ao lado). A votação será feita a 27 (o Reino Unido fica de fora) e, nas movimentações das últimas semanas foi percetível uma lógica de blocos regionais - a Grécia, por exemplo, propôs uma troca de votos entre as candidaturas do sul enquanto o bloco de leste trocou promessas de apoio.

Mas nem só a lógica local deverá presidir à escolha dos Estados-membros. O site Politico, que tem acompanhado a evolução deste processo a partir das principais capitais europeias, apontava esta semana para a existência de negociações de bastidores e de troca de apoios quanto a outras matérias."Claro que há negociações bilaterais e que ouvimos o que outros países esperam de nós em relação a determinados assuntos", confirmou ao Politico o ministro italiano dos Assuntos Europeus, Sandro Gozi. E há ainda um outro dado a considerar: de Londres vai também sair a Autoridade Bancária Europeia, que conta com oito candidaturas. Apesar de ser uma agência mais pequena que a EMA conta, entre os candidatos, com Paris ou Frankfurt. Quer a França, quer a Alemanha candidatam-se a receber ambas as agências, mas a acumulação não é permitida.

Porto fora dos favoritos

Nos inquéritos que foram sendo conhecidos ao longo dos últimos meses nunca a candidatura portuguesa foi apontada como favorita para receber a EMA a partir de 2019. Um inquérito feito junto dos 900 trabalhadores da agência concluiu pela preferência da maioria dos funcionários por Amesterdão, Milão, Viena, Copenhaga e Barcelona. Apontada desde o início como uma das candidaturas com mais hipóteses, Barcelona deverá ser fortemente prejudicada pela crise política na Catalunha.

Já uma avaliação pedida pela indústria farmacêutica às 19 cidades concluiu que a cidade de Copenhaga é a que oferece melhores condições aos agentes do setor. Nesta tabela, divulgada em setembro pelo Politico, o Porto surgia nos últimos lugares, apenas com Malta - que retirou há poucos dias a sua candidatura - Bucareste e Sófia atrás. Há pouco mais de uma semana, citando "diplomatas seniores" da União Europeia, o Financial Times avançava também uma lista que põe Milão e Bratislava como as principais candidatas.

A candidatura nacional foi conturbada. Portugal começou por avançar com Lisboa - chegou a fazer publicidade à candidatura da capital junto dos funcionários da EMA -, mas face aos protestos que se fizeram ouvir da Invicta (a começar pelo presidente da câmara, Rui Moreira), o governo acabou por recuar, trocando a candidatura de Lisboa pela do Porto. De acordo com um estudo pedido pelo Infarmed (a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) à consultora Deloitte, a relocalização em Portugal da Agência Europeia do Medicamento teria um forte impacto na economia nacional - 1130 milhões de euros até 2030, e 5300 novos empregos.

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