Trajecto entre Viseu e Chaves inaugurado na primavera

Os 160 quilómetros do caminho interior de Santiago, que ligam Viseu à fronteira, em Chaves, vão ser inaugurados oficialmente na primavera depois da limpeza, sinalização e construção dos albergues nos oito concelhos envolvidos no projecto.

Manuel Marques, administrador da VitaAguiar, empresa municipal de Vila Pouca de Aguiar que está a coordenar o projecto, disse hoje à Agência Lusa que a "abertura internacional" destes caminhos será feita em coordenação com a Fundação Jacobeu, da Galiza. O projeto envolve os municípios de Viseu, Castro Daire, Lamego, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Chaves e Vila Pouca de Aguiar. A reativação do percurso entre Viseu e Chaves foi feita tentando reutilizar ao máximo o trajeto original, facto nem sempre possível devido a algumas partes terem desaparecido ou terem sido cortadas por novas vias de comunicação.

Nestes casos, o que se fez foi escolher alternativas o mais próximas possível ao percurso original, que constituíssem, ao mesmo tempo, soluções viáveis para os peregrinos e pedestrianistas. O primeiro troço abre este domingo, no concelho de Vila Real, ligando Relvas e São Tomé do Castelo, com uma caminhada organizada pela autarquia local e a Associação de Caminheiros. Depois, segundo Manuel Marques, nos fins de semana seguintes serão inaugurados os restantes troços concelhios.

Os municípios estão a utilizar mão-de-obra própria, custos fixos de cada autarquia, para limpar e marcar os caminhos. Também são os técnicos das câmaras que estão a preparar uma plataforma na Internet que permitirá aos caminheiros antecipadamente fazer a descarga de toda a informação, quer a nível de caminhos, alojamentos, restauração, tradições de cada uma das terras ou das festas na aldeia. Este será, segundo Manuel Marques, um "caminho de dois sentidos". O objetivo é atrair turistas religiosos e de lazer que queiram seguir para Santiago de Compostela, mas também os peregrinos que seguem para Fátima.

"Temos esperança que se transforme num pólo de desenvolvimento, uma vez que este percurso vai atravessar zonas de interesse natural e patrimonial e irá trazer uma mais valia para todas estas vilas e aldeias", frisou. Manuel Marques referiu que haverá pelo menos um albergue de 30 em 30 quilómetros, alojamentos que nascerão em escolas ou estações de caminho de ferro desativadas. Caminheiros dos oito municípios vão criar uma associação dos caminhos interiores de Santiago, a quem caberá também controlar e avaliar este percurso. As entidades regionais de turismo e os bispados também integram esta parceria inter-regional.

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