"Street racers" da A1 conhecem hoje sentença

A leitura do acórdão do caso de "corridas ilegais" que terão ocorrido pelo menos durante dois anos na autoestrada A1, com carros transformados que atingiam altas velocidades, está marcada para hoje no tribunal de Estarreja.

No banco dos réus estão sentados 17 homens, com idades entre os 24 e 39 anos, que estão acusados de condução perigosa, dois dos quais por autoria moral, e incorrem numa pena até três anos de prisão. Um dos arguidos está ainda acusado de um crime de condução sem habitação legal.

Nas alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu a condenação de todos os arguidos e chamou a atenção para o facto de o desprezo pela vida humana, neste tipo de corridas, ser "absolutamente assustador".

"Podíamos estar perante a perda de vidas humanas", sublinhou a procuradora Marianela Figueiredo, censurando ainda a postura dos arguidos, que se remeteram ao silêncio durante o julgamento, e de várias testemunhas de acusação, que, no entender do MP, "faltaram à verdade".

Face às contradições dos depoimentos feitos aquando do inquérito com as declarações prestadas em tribunal, o MP mandou extrair várias certidões para a instauração de processo-crime por falsas declarações.

A defesa foi unânime a pedir a absolvição de todos os arguidos, alegando não haver provas de que os mesmos estariam ao volante dos veículos que participaram nas corridas.

Os condutores foram identificados em novembro de 2007 pela GNR, que apreendeu 13 automóveis transformados para aumentar a potência, após ter montado uma operação de vigilância com carros descaracterizados.

As corridas, que se realizavam habitualmente nas noites de domingo, entre os nós de Estarreja e Albergaria-a-Velha da A1, atraiam centenas de espetadores, o que alertou a GNR, dado o movimento anormal na área de serviço de Antuã e na praça de portagens de Albergaria-a-Velha.

Segundo a acusação, os condutores competiam aos pares e circulavam a uma velocidade superior a 200 quilómetros por hora.

Durante a competição, os arguidos utilizavam por diversas vezes a faixa de emergência para circular e circulavam de noite com os faróis desligados, colocando em perigo os demais utentes da via.

Numa das corridas, alguns dos arguidos chegaram a provocar um acidente de viação envolvendo uma viatura estranha à competição, na qual seguia um casal de ocupantes.

Deste acidente não resultaram, no entanto, consequências graves para a integridade física dos intervenientes.

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