Sem banda larga não se vota em Castanheira do Vouga

A porta do salão de Castanheira do Vouga, Águeda, onde está instalada a mesa de voto para as eleições europeias, teve de ser forçada e as urnas acabaram por abrir às 11:15.

O boicote às eleições europeias foi a forma encontrada por populares para manifestarem o seu descontentamento por a freguesia não ser servida por banda larga.

Após a presença do presidente da Câmara, Gil Nadais, e do presidente da Junta de Freguesia, Victor Abrantes Silva, os populares que impediam a abertura da porta acabaram por ceder e a mesa de voto abriu, mantendo-se a GNR nas proximidades para evitar incidentes.

Segundo disse à Lusa o presidente da Junta, quando os elementos da mesa se preparavam para abrir a sala verificaram que a porta não abria com a chave. Alguns populares que pretendiam impedir o funcionamento da mesa de voto foram demovidos, depois do presidente da Câmara, Gil Nadais, e dele próprio, os terem convencido a deixarem decorrer o acto eleitoral com normalidade.

Victor Abrantes Silva está solidário com o protesto, que pretende chamar a atenção para as dificuldades de comunicação daquela freguesia, localizada no sopé da Serra do Caramulo.

"Fala-se tanto de novas tecnologias, mas a banda larga não chega a Castanheira do Vouga, o que cria dificuldades à própria Junta, às escolas e aos empresários locais. A Internet hoje é tão indispensável como o era há anos o lápis e a borracha e os nossos alunos acabam por ser discriminados por causa disso", disse à Lusa.

O autarca admite que as empresas de telecomunicações são privadas e que será a elas que compete encontrar a melhor solução para que Castanheira do Vouga não fique à margem das novas tecnologias da informação e da comunicação.

No entanto, Victor Abrantes Silva considera que o governo tem a sua parte de responsabilidade, ao transferir novos poderes e responsabilidades para as autarquias, sem assegurar que os meios necessários funcionem em todo o lado.

Apesar das urnas terem sido abertas às 11:15, uma hora depois ainda ninguém tinha votado, o que é interpretado pelo presidente da Junta como a "manifestação de protesto da população".

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