"Nordeste Explosivo com sentença a 8 de fevereiro

O tribunal de Alfândega da Fé marcou para 8 de fevereiro a leitura do acórdão do caso "Nordeste Explosivo" em que 17 arguidos, entre os quais dois presidentes de junta, são acusados de tráfico ilegal de explosivos

O julgamento começou em novembro de 2011 e resultou de uma operação levada a cabo pela Polícia Judiciária, em Trás-os-Montes, em fevereiro do ano passado, durante a qual foram detidos 11 homens, com idades entre os 40 e os 60 anos.

O Ministério Público acabou por acusar um total de 17 pessoas, entre as quais os presidentes das juntas de freguesia de Murcós e Cortiços, no concelho de Macedo de Cavaleiros.

Entre os arguidos encontram-se também um secretário da junta de freguesia da Cardanha, concelho de Torre de Moncorvo, e um vogal da freguesia de Freixiel, em Vila Flor.

A acusação não tem a ver com atividade autárquica, mas com a profissão dos mesmos, já que, à semelhança da maioria dos arguidos neste processo, são empresários da construção civil e terraplanagem, que justificam o recurso ilegal aos explosivos para "ultrapassar burocracias que podem parar uma obra durante meses à espera de uma licença para rebentar uma pedra".

Os arguidos comprariam os explosivos ao principal suspeito, um empresário de Alfândega da Fé, Jorge Pinheiro, que tinha licença para a atividade, mas que, de acordo com a acusação, vendia o material de forma ilegal a pessoas não habilitadas.

O empresário foi o vendedor dos explosivos que, em 1999, mataram duas mulheres em Moredo, Bragança, segundo adiantou fonte da investigação, aquando da operação que ficou conhecida como "Nordeste Explosivo".

Nas diligências feitas naquela ocasião em vários concelhos transmontanos, como Valpaços, Vila Real, Macedo de Cavaleiros e Mirandela, foram apreendidos cerca 200 quilos de explosivos, nomeadamente goma 2eco, mais de 3.000 detonadores, milhares de metros de rastilho e cordão detonante e 13 armas de fogo, incluindo uma espingarda metralhadora G3, caçadeiras, caçadeiras de canos serrados e carabinas.

Os arguidos incorrem em penas que podem ir até cinco anos de prisão por tráfico ilegal de explosivos e alguns também por posse de armas sem licenças, nomeadamente o empresário Jorge Pinheiro, a quem a Polícia Judiciária apreendeu várias armas, algumas de uso militar, concretamente uma G3.

Os arguidos são dos concelhos de Alfândega da Fé, Torre de Moncorvo, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Carrazeda de Ansiães e Mirandela.

Apenas o principal arguido do processo se encontra em prisão preventiva.

Devido ao elevado número de arguidos e intervenientes no processo e às instalações exíguas do tribunal local, o julgamento, que se prolongou por várias sessões, decorreu na Casa da Cultura de Alfândega da Fé.

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