Fiadeiras querem reativar o ciclo da lã no planalto mirandês

Novas fiadeiras do planalto mirandês querem reativar a tradicional fiação de lã de ovelha e conferir a essa arte uma imagem de modernidade e uma nova personalidade. Contudo, as horas de trabalho que a fileira da lã exige tornam elevado o preço final do produto.

Segundo disse à agência Lusa a investigadora das tradições culturais da região nordestina Suzana Ruano, o planalto mirandês é uma das regiões na qual ainda se mantém viva a arte da fiação da lã de ovelha.

E, aí, podem ainda encontrar-se fiadeiras e tecedeiras em várias aldeias, que aproveitam a matéria-prima proveniente dos seus rebanhos de ovelhas. "Ainda há muita gente a tratar a lã de ovelha, apesar de ter pouco valor comercial. Há pastores que preferem queimar a lã, já que as tosquias começam a dar prejuízo devido ao alto custo da mão-de-obra", disse.

Mas, numa adaptação aos novos tempos, criadoras de peças de vestuário feitas à base da lã de ovelha não desistem e conferem aos trajes tradicionais "um certo nível de modernidade".

"Seguem-se as vontades das gerações mais novas, com especial atenção para os novos gostos e atitudes perante este tipo de peças de vestuário", acrescentou Suzana Ruano.

A lã de ovelha está presente nas tradicionais capas de honra mirandesas, meias, camisolas ou casacos, especialmente usadas pelas gentes do campo para ultrapassar as dificuldades do rigoroso inverno transmontano.

Há agora, porém, pessoas e coletividades que começam a dar outras utilidades à lã de ovelha, tingindo-a das mais variadas cores, de forma a adaptar a matéria-prima a outros usos.

As gerações mais antigas, contudo, recordam que todo o trabalho requer "muita mestria e paciência" para que o "fio não saia da meada" e se consigam novelos de qualidade.

"As pessoas que fiam, ficam cheias de pelo, mas vale sempre a pena trabalhar a lã. Ainda há pouco tempo andei a fiar, para a minha neta fazer um tapete", lembrou Fábia Pera, uma fiadeira do concelho de Miranda do Douro.

A setuagenária lembra que havia muitos rebanhos na região e que, outrora, todos aproveitavam a lã. "Nem que fosse para fazer um meias quentes para os pés não ficarem gelados no inverno, quando se trabalhava na agricultura", recordou.

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