Nem todos os contracetivos estão disponíveis em Lisboa

Em Lisboa e Vale do Tejo não existem anéis vaginais, um método tão eficaz como a pílula mas com a vantagem de ser mensal. Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) diz que está a avaliar o pedido para a disponibilização deste contracetivo.

"Já questionámos a ARSLVT. Não compram simplesmente. Provavelmente não consideraram prioritário. É um método que faz parte da lista de contracetivos recomendada pela Direção Geral de Saúde e não faz sentido que o mesmo SNS ofereça essa escolha às mulheres e que noutros não com base na zona de residência", diz ao DN Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção.

Em conjunto com a Associação do Planeamento Familiar, que também enviou cartas à procura de esclarecimentos, vão fazer um levantamento sobre as necessidades e as ofertas não aproveitadas. "O anel é de uso mensal e evita esquecimentos, que é a maior causa de falhas. Há um conjunto de mulheres jovens que podiam beneficiar e não têm o método disponível", afirma Teresa Bombas.

A ARS de Lisboa diz que o anel não está disponível porque "a sua introdução não foi solicitada em anos anteriores, por não ter sido sentida como uma necessidade em saúde das utentes da região. Temos atualmente um pedido de introdução agendado para avaliação pela Comissão de Farmácia e Terapêutica".Adiantam que é o contracetivo de custo por tratamento/mês mais elevado quando comparado com todos os disponíveis.

Doze no total, adianta a ARS, referindo que só em contraceção hormonal, gastaram "cerca de 3 milhões de euros em 2013". Médicos da zona de Lisboa, contactados pelo DN, dizem já ter pedido o anel vaginal, uma solução que agrada a cada vez mais mulheres entre os 30 e os 40 anos. E lamentam não ter a opção de oferecer a solução de forma gratuita, através do centro de saúde, apesar de considerarem que é a melhor.

Teresa Bombas diz que "há mais mulheres a recorrer ao SNS, para ter acesso ao planeamento familiar" e refere que pontualmente há ruturas de stock, cujo motivo pode ser este assim como eventuais problemas de gestão. "É uma situação transversal e a procura pode justificar a questão", diz, sem colocar de parte problemas de gestão. "Temos dispositivos disponíveis em centros onde não há profisisonais para os colocar e noutros locais não há material", aponta.

O DN questionou as restantes Administrações Regionais de Saúde, mas além de Lisboa e Vale do Tejo, só a Centro e Algarve respondera. As duas últimas negaram problemas com os abastecimentos de contracetivos que são entregues gratuitamente nos centros de saúde. Já Lisboa e Vale do Tejo adiantou que as ruturas "são pontuais e devem-se essencialmente a atrasos no procedimento de compra mediados pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde".

Quanto ao aumento da procura, a assessoria de imprensa da ARS Centro afirma que "o número de consultas registou um aumento percentual de 15% no primeiro semestre do ano comparativamente ao período homólogo de 2013. Tem também vindo a aumentar o número de mulheres que procuram este tipo de consulta pela primeira vez". Adiantou ainda que sempre que necessário há reforço do material.

No que diz respeito à capacidade dos profissionais, a ARS Algarve adianta que "tem sido feito um esforço grande no sentido de ensinar os profissionais em relação à colocação correta dos dispositivos intra uterinos (DIU), sendo que outros métodos contracetivos como o implante contracetivo hormonal e a utilização da pílula são outras áreas onde os profissionais de saúde têm obtido formação interna".

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