Na terra dos fenómenos, o duelo é entre o atual e o ex-presidente

Com menos de 18 mil eleitores, a cidade tem cinco candidatos à presidência. Mas conta o histórico das eleições que o confronto maior será entre o PS e o PSD. Os socialistas só não conseguiram a presidência desde 1976 porque o atual candidato social-democrata arrebatou três mandatos

Na terra dos fenómenos - fama que vem das décadas de 1940/50 quando se publicavam insólitos como um melro branco ou uma abóbora de 50 quilos -, o duelo das próximas eleições autárquicas será entre Jorge Faria e Jaime Ramos. O primeiro é o atual presidente da câmara, candidato independente que encabeçou as listas do PS em 2013. O segundo é o cabeça-de-lista do PSD que esteve à frente da autarquia do Entroncamento durante três mandatos e só saiu, precisamente em 2013, por imposição da lei. E foi também o único a conseguir roubar aos socialistas a liderança que tinham deste 1976.

O nome tem origem no entroncamento de duas linhas ferroviárias, a Linha do Norte e a Linha da Beira Baixa, e o que começou por ser pouco mais do que uma estação de comboios em meados do século XIX foi elevada a cidade em 1991. Mas o desinvestimento das linhas férreas acabou por lhe retirar importância estratégica e postos de trabalho. Dividida em duas freguesias e com pouco mais de 20 mil habitantes - dos quais menos de 18 mil são eleitores - a abstenção foi de peso nas últimas eleições autárquicas: 50,4%. Percentagem que os cinco candidatos - além de Jorge Faria e Jaime Ramos, concorrem ainda Telma Jorge pela CDU, Pedro Gonçalves pelo CDS e Henrique Leal pelo BE - quererão reduzir.

Mas tendo em conta o histórico, espera-se um duelo entre PS e PSD. Os socialistas voltam a apostar em Jorge Faria, que se tornou presidente da câmara em 2013, depois de três mandatos do PSD. "Entendo que eu e a minha equipa podemos continuar a contribuir para a construção de uma cidade em que as pessoas sejam o elemento central", diz, classificando o trabalho do executivo como "globalmente positivo".

"Herdámos uma situação muito grave, com um nível de endividamento no final de 2012 acima do limite legal", aponta Jorge Faria, para referir que reduziram os prazos de pagamento de 120 para menos de 60 dias e que há vários semestres que a câmara não tem pagamentos em atraso. "E não deixámos de investir na saúde, educação, reduzimos o IMI e não aumentámos as taxas urbanistas ou não urbanísticas."

Das prioridades para os próximos quatro anos destaca a melhoria do espaço urbano, o desenvolvimento económico e do emprego. "Os investimentos na área ferroviária são muito importantes", aponta, destacando o impacto que a "abertura do canal entre a Covilhã e a Guarda" e a "retomada da ligação ferroviária com Badajoz [Espanha] em setembro" terão na cidade. Tal como os postos de trabalho especializados na recuperação de comboios Alfa, um projeto com a duração de três a quatro anos e com um investimento de 18 milhões de euros que já está a funcionar.

Já o PSD traz de volta Jaime Ramos, que foi presidente da câmara durante 12 anos - entre 2001 e 2012 - e é o presidente da Fundação Museu Nacional Ferroviário. Em março deste ano foi condenado a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa, pelo crime de prevaricação. Segundo o Ministério Público em 2008 - quando presidente da câmara - terá beneficiado uma empresa de construção ao deixar prescrever uma multa. Decisão da qual recorreu. "Não beneficiei ninguém, sou um homem limpo. Foi um erro por desconhecimento", defende-se.

Diz que volta a candidatar-se em resposta "aos apelos dos cidadãos e da estrutura do partido" para o fazer, lembrando que conseguiu sempre aumentar o número de votos a cada mandato. Para estas eleições traz "uma equipa renovada" para retomar o trabalho que deixou feito. "Queremos apostar na manutenção e limpeza da cidade e outra área que nos preocupa muito é a educação. Demos prioridade à construção de escolas, agora queremos resolver algumas carências como a climatização e a construção de espaços cobertos, avançar para segunda fase do Parque Verde do Bonito e reforçar a segurança na cidade com a instalação de uma rede de videovigilância e melhoria das condições da esquadra da PSP."

Sobre as contas da autarquia, Jaime Ramos afirma que "não havia dívidas porque a câmara sempre cumpriu as suas obrigações. Não havia saldo negativo, havia empréstimos bancários para os grandes investimentos que se fizeram".

Da mobilidade ao bebé fenómeno

A CDU aposta em Telma Jorge, que já tinha sido candidata à autarquia em 2005 e 2009. Na apresentação da candidatura atual afirmou que um dos objetivos é reforçar a votação na coligação que tem um vereador. Sobre os planos para os próximos quatro anos, prometeu dar prioridade à requalificação da estação rodoviária, à criação de infraestruturas desportivas e culturais e na melhoria da qualidade dos serviços camarários.

Também com um vereador, o BE tem como cabeça-de-lista Henrique Leal. Crítico do "falso rotativismo" do PS e PSD, do programa eleitoral fazem parte a construção de uma nova esquadra para a PSP, revitalização do tecido empresarial, orçamento participativo, o passe social entre Lisboa e o Entroncamento e a criação da Casa da Juventude.

Já Pedro Gonçalves, líder da lista do CDS, aposta no apoio às famílias numerosas, incentivos a jovens que se queiram fixar no concelho, a implementação do IMI familiar e do "bebé fenómeno", um pacote de benefícios para cada criança que nasça no concelho. O partido propõe ainda a criação de uma rede de videovigilância, mais iluminação e reforço da segurança.

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